terça-feira, 1 de abril de 2008

Uma breve conversa sobre sexo (Parte II)

Tudo que vicia e/ou aprisiona é pecado. Tudo que não provém de fé é pecado. Quando eu disse, lá atrás, que depende da pessoa que faz, quis dizer que nem todos têm a oportunidade de desenvolver uma mente aberta e consciente de que “tudo” é Graça de Deus, de crer que nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus. Dessa forma, o sexo se torna um peso, enfado da carne, e não benção de Deus. Eu já vi casos de casais de namorados, inclusive de amigos meus, que optaram pelo sexo antes do casamento, e, por não terem nenhuma preparação anterior (a “coisa” aconteceu de repente, num repentino ardor), tanto dentro da igreja como dentro do próprio relacionamento, e nenhum esclarecimento das implicações que isso tem para o presente e para o futuro deles, acabou com o relacionamento por não agüentarem as brigas e a péssima convivência, fruto da pressão gerada pela consciência fraca e despreparada de cada um. Ex: A menina, sem pensar, sede aos apelos do namorado, que diz que a ama, mas que no fundo está louco por outras coisas, e no fim das contas, depois de perceber que aquilo não era amor coisa nenhuma, mas desejo apenas, se desilude, termina o namoro, às vezes adoece, e, dependendo das circunstâncias, demora a vida toda pra se recuperar. Isso quando não vira escrava sexual do namorado.
Esse apenas é um caso, dentre tantos outros, uma possibilidade, dentre tantas outras. É preciso que os dois estejam conscientes e certos do que estão fazendo e do que isso implica. Surpresas podem vir? Sim. Mas, neste caso, elas serão menos dolorosas e penosas para os dois, que serão responsáveis e saberão enfrentar as conseqüências, juntos. A vida é menos “romântica”, em certos momentos, quando ela nos encara com a realidade. Não obstante, eu creio muito nisso que estou te falando, e assumo diante de Deus o que penso e falo. Não vejo mal algum no fato de se optar por não fazer sexo antes do casamento, mesmo que se tenha a consciência de que não há um grande mal nisso, dependendo daquelas circunstâncias que mencionei e tantas outras, pois, na prática, a coisa é sempre mais difícil. Não é só você que tem de tomar a decisão, não é só você quem vai fazer, são os dois, sempre os dois. E isto implica em dupla responsabilidade, compromisso e consciência quanto ao ato ou "atos". Quando o que rola é diferente disso, a coisa geralmente não anda mesmo.
Do contrário, eu acho muito positivo quando você chega a um patamar em que tem de reconhecer que, dentre tantas opções, a melhor é ficar como está, até que se tenha plena segurança do que está se fazendo, seja antes ou depois do "casamento". Isto sim, acima de tudo, ainda que sem o embasamento bíblico desejado, é uma atitude madura, pois reflete sua comunhão e temor a Deus. Na dúvida, é sempre melhor optar por não arriscar. Lembre-se: Tudo que não provém de fé É PECADO, já diria Paulo, um profundo entendedor da Liberdade e da Graça em Cristo Jesus. Quando falei que para mim TUDO É GRAÇA, me referia a todas as coisas que são boas e agradáveis aos olhos de Deus, inclusive o sexo. Mas eu não posso pensar que, porque é bom e agradável, vou então fazer da maneira que achar melhor, quando achar melhor.
Jonathan

2 comentários:

Ricardo Wesley M. Borges disse...

Oi Jonathan,
Eu penso mais ou menos assim. A mim me parece que a tal união sexual deveria ser algo resguardado a um contexto onde há compromisso público, social e com disposição de permanência até o fim. Se acontece sem algum desses elementos, a coisa fica "manca" e por mais suposta maturidade e "saber o que estão fazendo e suas implicações", corre-se um risco bem maior das tais consequências "dolorosas e penosas para os dois". Claro que com cabeça no lugar e, acima de tudo, com a experiência da fé e da graça de Deus, as coisas se ajeitarão, haverá restauração, etc. Mas se eu busco o ideal, ou se entendo que Deus apontou para um ideal, então devo tentar ir atrás dele, não é mesmo?
Claro que é minha interpretação, mas sinto isso nas vezes em que se fala nas Escrituras sobre o deixar pai e mãe, se unir e tornar-se uma só carne. E nas vezes em que fala do perigo de se unir em uma relação sexual a um(a) prostituto(a). Para mim esses textos apontam para algo místico nessa união, que deveria ser acompanhado de um compromisso formal, social e público diante dos homens. Se chamarão esse "compromisso" de casamento ou não em cada cultura é papo pra outra discussão, e bom papo. Não posso ser reducionista ou legalista ao olhar por exemplo, só para a virgindade em si, sem considerações mais amplas. Seria hipocrisia! Mas, a meu ver, também devo continuar a buscar algum critério mais sólido e talvez mais bíblico do que a consciência e a maturidade de cada um.
Beleza, mano. Forte abraço!

Jonathan Menezes disse...

Concordo contigo, Ricardo, acerca da busca desse critério mais sólido. E um deles, a meu ver, é sim essa liberdade de consciência que Paulo tanto defende em Romanos e 1Coríntios. É um primeiro passo, eu diria. É claro que não se resume a isso. Nem poderia. No momento, estamos uma tanto quanto longe desse critério, dinate de tantas baboseiras que tem-se escrito sobre o assunto, atribuindo a certos textos bíblicos assuntos e imperativos inexistentes ali. Como disse Robinson Cavalcanti, absolutos que não são bíblicos e nem tampouco divinos. Ainda estamos engatinhando nesse assunto, eu repito. Mas podemos dar alguns passos adiante. E isso, a meu ver, requer um sério e crítico exame da realidade que nos cerca, e um confronto dessa realidade com a nossa teologia, que por sua vez deve gerar uma nova hermenêutica para que, por fim, alcancemos uma nova prática. É o círculo hermenêutico do Juan L. Segundo.
Obrigado pela contribuição, mano.