quarta-feira, 2 de abril de 2008

Uma breve conversa sobre sexo (Parte final)

Tenho experimentado uma porção de coisas nestes últimos anos, recebido tanto e doado tão pouco, e, por isso, em todas essas coisas não vejo mérito humano, nem meu, nem de outros, mas sim pura Graça Divina. Quando eu disse TUDO, foi pensando de uma forma ampla mesmo, pois a Graça é ampla, maior do que a gente pensa ou vê. Não se estresse muito com o fato de não achar muita justificativa na bíblia para o sexo antes do casamento, pois de fato não há, nem para antes, nem para depois do casamento, não da forma tão específica que se prega e se espera que haja. Não que a bíblia não contemple o assunto. Ela contempla. Mas, muitas vezes, penso que utiliza-se de uma hermenêutica que parece estar procurando "chifre em cabeça de cavalo". Não podemos dizer pelas Escrituras aquilo que elas não dizem. Nesse sentido, carecemos de um estudo que aborde a questão da sexualidade bíblica a partir de um prisma que enfoque tanto o que alguns textos dizem, como o que eles não dizem no que dizem, e desmistificar o que muitos pensam que eles dizem naquilo que estão dizendo. Em breve quero me dedicar a esse estudo.

Há diferenças entre fornicação e sexo, no que diz respeito à concepção de pecado, se este é maior ou menor em alguns casos?

Não vejo diferença entre uma coisa e outra, isto pensando nos dois pressupostos aqui discutidos: daqueles que acreditam que o sexo antes do casamento não é pecado, bem como dos que dizem ser pecado. Ora, pecado é pecado, portanto se sexo é pecado, a fornicação e seus atributos também são. De outra maneira, se sexo, do jeito como discutimos, não é pecado, outras “formas” também não são. Sejamos claros e objetivos, o que entendemos por fornicação? As "passadas" de mão, os beijos mais “calientes”, inclusive em outras partes do corpo, o sexo oral (sim, pois não há penetração vaginal), etc. Para mim, tudo isso é tão sexo quanto é o “fazer sexo”, guardadas as devidas proporções. Uma diferença básica é que ninguém engravida só passando a mão.

A meu ver, tudo depende do nível de intimidade e a relação de responsabilidade que se tem com a outra pessoa, e aí atingimos um ponto interessante: até que ponto o que eu faço à minha (meu) namorada (o), noivo (a), fere sua integridade física, moral, espiritual? Se você tem certeza de que não fere, e ela também, então não há o que temer, até porque você precisa e quer tanto quanto ela. Mas isso, a meu ver, é valido, sobretudo, quando há perspectiva de um compromisso longevo. Há uma passagem na bíblia em que Paulo diz assim: “é melhor que se casem do que vivam abrasados". Veja bem: ele não está dizendo aqui que É PROÍBIDO viver abrasado, até porque ele não trabalha com esse tipo de afirmativa. Grosso modo, ele apenas está dizendo que o casamento é o melhor lugar para se viver essas experiências - trata-se de um contexto seguro, de amor e responsabilidade - provando, nada mais nada menos, que conhecia bem nossa natureza humana, suas necessidades e limitações.
É no caminhar que se caminha, é vivendo, entre acertos e erros, que se aprende. O caminho do aprendizado, do diálogo e da honestidade é sempre mais custoso que o caminho da lei, das palavras e atos de repetição do que o outro determina como sendo absoluto pra minha vida, da linguagem da repressão. Afinal de contas, a exemplo do povo de Israel em Êxodo, o retorno à escravidão no Egito sempre será uma alternativa saudosa e tentatora diante da árdua peregrinação no deserto rumo à liberdade. "Para a liberdade foi que Cristo vos libertou; permenecei, pois, firmes, e não vos submetais de novo ao jugo da escravidão" (Gl 5.1,2).
Jonathan

2 comentários:

Ricardo Wesley M. Borges disse...

Oi Jonathan,
Continuo aqui o papo iniciado no post anterior. Concordo com você ao ter também dificuldades com essa argumentação em que se busca definir de antemão se algo é pecado ou não, como se o fazer listas incluindo os detalhes dos procedimentos "permitidos" e os "condenados" fosse fazer algum bem para a nossa integridade e espiritualidade.
Mas fiquei me perguntando como avanço com o critério que você colocou: "Se você tem certeza de que não fere, e ela também, então não há o que temer, até porque você precisa e quer tanto quanto ela".
Se isso que você menciona seria seu entendimento da liberdade de consciência de que Paulo fala, então teria que confessar que meu acercamento e entendimento é diferente. Eu me explico, ou pelo menos tentarei.
Parece-me que o critério que você coloca põe demasiada responsabilidade na percepção bastante pessoal e culturalmente condicionada que cada um tem. Você também aponta para a "necessidade" de cada um. Não consigo ver essa mesma ênfase e enfoque nos escritos de Paulo que você menciona.
Como toda opinião, assim como a minha, a sua, a de Paulo, são de certo modo culturalmente afetadas, voltamos ao tal círculo hermenêutico onde é na comunidade, com a Bíblia aberta, em oração e correção mútua, com respeito, amor e misericórdia, onde vamos tentando construir nossos entendimentos da vontade de Deus. Deixar que cada um decida em sua suposta liberdade de consciência me parece caminho distante do que Paulo ou outros lá na Palavra desejavam.
Devolvo a você nesse nosso saudável círculo farmacêutico, ops, hermenêutico.
Abraço forte!

Jonathan Menezes disse...

Meu caro Ricardo. Obrigado outra vez por sua contribuição. Minha tréplica ficou um pouco grande, portanto resolvi colocá-la como post. Continuemos o círculo. Abraços!