quarta-feira, 16 de abril de 2008

Correndo o trecho sem saber nada da vida

“Cada um corre a sua carreira como um cavalo que arremete com ímpeto na batalha”
(Jeremias 8:6).

A muitas pessoas esta analogia caberia perfeitamente! Primeiro, porque o sinônimo da vida nos grandes centros tem sido “correr, correr e correr”... E afirmar que a minha ou a sua vida está “corrida” (no sentido de cheia de compromissos) é garantia de status, de ajustamento aos novos tempos. Em segundo lugar, porque o ímpeto cavalar ao qual alude Jeremias, traz à tona um jeito bastante peculiar de “levar a vida” em que o indivíduo se lança ambiciosamente em uma “corrida”, onde os meios são irrelevantes, assim como quem quer que esteja “no meio”, à frente ou a trás e onde o que substancialmente importa é a conclusão, a meta, a chegada. A atitude da “maioria” mostra que estamos sempre à procura de atalhos que possam encurtar a longa, e muitas vezes dura, alameda da vida.

Pessoas que assim agem, estão fatalmente sujeitas a perder a capacidade (dom) de enxergar a beleza que se encontra à beira do caminho; de tão preocupadas com os grandes acontecimentos, acabam passando largo em relação às pequenas maravilhas da existência; de tão ensimesmadas passam a tratar as outras pessoas estatisticamente, como se fossem metas, estratégias ou conquistas a se fazer. Mas se a vida se resumisse a métodos, técnicas e estratégias o ser humano estaria categoricamente morto! Se você assistiu a um dos últimos filmes de Steven Spielberg, “A.I. – Inteligência Artificial”, pode ter uma idéia sobre o que estou falando.

A verdadeira “graça” da vida, no entanto, está na jornada percorrida, e não apenas no destino a que se pretende chegar. David Wong escreveu: “A vida pode levar-nos a um destino, mas é a viagem em si que nos faz ser o que somos e seremos”. No fim das contas, quem sabe sob o argumento de que a história é irreversível, alguém poderá dizer que a vida continuará irremediavelmente sendo marcada por correria e competição. Eu, porém, quero prestar mais atenção no caminho, nas belezas e contrastes nele existentes, nas pessoas com as quais nele cruzo, sem que por mim passem desapercebidas, como se fossem apenas vultos, corpos sem valor, matéria descartável.

Jonathan

2 comentários:

Lícia Rosalee disse...

Olá Jonathan,
Descobri seu blog através do site BomLíder, do Ivan, que, ao que parece, é um amigo nosso em comum. Gostei muito de suas postagens; são inteligentes, bem escritas, atuais, muito boas mesmo. É legal saber que tem gente pensando como a gente, espalhada por aí rsrsrs

Sobre esse texto, gostaria de dizer que é mesmo um grande desafio seguir viagem sem se preocupar em demasia com a bagagem que a gente leva ou com o fim da jornada. Parece que estamos sempre tão concentrados em rever/consertar o passado ou em prever/analisar o futuro que esquecemos de aproveitar "o tempo que se chama hoje", e que, afinal, é a única coisa que realmente temos. Junte-se a isso a rotina estressante dos nossos dias (que, como vc assinala, acaba ganhando um certo status), e temos aí uma química perfeita para dias cheios de ansiedade e pouco deleite. Até na igreja clama-se tanto "ora vem, Senhor Jesus" que quase não se ouve uma palavra de louvor porque "esse é o que dia que o Senhor fez"...
Como fugir dessa loucura toda? Como se estressar menos e aproveitar mais a vida e tudo o que ela nos tem a oferecer? Taí um desafio e tanto. Particularmente, gosto da palavra de Paulo aos filipenses: "esquecendo as coisas que para trás ficam" (com o passado, a única coisa a fazer é virar a página...), "avançando para as que estão diante de mim" (o futuro está sempre fora de alcance), "prossigo para o alvo" - seguir sempre, um passo depois do outro. E se ainda der tempo pra olhar a paisagem ao redor, tanto melhor.

Prazer em conhecê-lo,

Lícia Rosalee.

(A propósito, o nome do seu blogg é demais!)

Jonathan Menezes disse...

Lícia,
fico muito grato por seu comentário e por descobrir mais uma leitora do blog. Bom saber também que compartilhamos idéias... continuemos com elas, colhendo outras no caminho, e espalhando transgressão para o bem...
Abraços!