sábado, 12 de abril de 2008

Autoridade, obediência e compaixão

Autoridade e obediência nunca podem estar divididas, com algumas pessoas centralizando toda a autoridade enquanto outras só obedecem. Essa separação causa um comportamento autoritário em uma das partes e um comportamento passivo na outra. Isso perverte tanto a autoridade como a obediência. Uma pessoa com grande autoridade, que não tem ninguém a quem devotar obediência está em grande perigo espiritual. Igualmente, uma pessoa obediente que não tem autoridade sobre ninguém também está em perigo.

Jesus falou com grande autoridade, mas toda a sua vida foi de completa obediência a seu Pai; e o mesmo Jesus que disse: “não seja como eu quero, mas como tu queres” (Mt 26.39), foi-lhe dada toda autoridade no céu e na terra (veja Mt 28.18). Perguntemos a nós mesmos: vivemos nossa autoridade em obediência e nossa obediência com autoridade?

Na maioria das vezes pensamos nas pessoas com grande autoridade como maiorais, distantes, difíceis de alcançar. Porém, autoridade espiritual provém da compaixão e emerge de uma intensa e íntima solidariedade com aqueles que estão “sujeitos” à autoridade. Aquele que é totalmente como nós, que entende profundamente nossas alegrias e dores, esperanças e desejos, o qual está disposto e preparado a andar conosco, esse é aquele a quem gratamente conferir-se-á autoridade e a quem se estará disposto a ser assujeitado.

A autoridade compassiva é aquela que habilita, encoraja, faz brotar dons escondidos, e possibilita que grandes coisas aconteçam. Verdadeiras autoridades espirituais estão localizadas num triângulo de cabeça para baixo, apoiando e proporcionando luz aos caminhos de todos aqueles a quem oferecem sua liderança.

Henri J. M. Nouwen
Traduzido de Daily Meditation (Henri Nouwen Society)

4 comentários:

DirceuHistoria disse...

"Jesus falou com grande autoridade, mas toda a sua vida foi de completa obediência a seu Pai;" Isso significa dizer, na sua opinião, que Jesus adotou uma postura de obediência passiva em relação ao pai e de autoridade compassiva em relação aos seus discípulos?
satisfação, parabéns e grande abraço... pode responder pessoalmente se assim deseja... assim como não precisa responder se não quiser...

Jonathan Menezes disse...

Grande Dirceu, prazer em ver seu comentário aqui. Sua pergunta não é muito simples... mas posso tentar. A relação entre Jesus e o Pai, descrita por João, é uma relação de amor, diálogo e complicidade: "Eu e o Pai somos um". Logo, se por um lado ela é passiva no sentido de obediente à vontade do Pai, por outro, também é compassiva, no sentido de que há uma sinergia de ações, partilhar de dores e visão unidirecional entre ambos.Isso tudo numa linguagem joanina. E aquilo que ele tinha com o Pai, procurava transferir também a sua relação com seus discípulos e com o mundo.
Obrigado. Visite e comente quando quiser.
Abraços!

palafitacafe disse...

Gostaria muito de chegar a esse nível de autoridade... Luto intimamente pra isso. Obrigada pelas lindas palavras, compactuo tb com esse pensamento. Jac.

Anônimo disse...

andheri grasping rethinking incentive safe nazionale alok printout reflects triumphs verma
semelokertes marchimundui