terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Uma vida agradecida

Olá meus caros bloggers de plantão! Para que não venha enfadá-los apenas com minhas reflexões e pensamentos, hoje quero subscrever um texto de um dos mais fabulosos, inteligentes e sensíveis escritores cristãos que já li e sobre quem já ouvi falar: Henri J. M. Nouwen (na foto).

Farei isso não apenas hoje, mas, já que esse blog é voltado para a leitura e a escrita, quero fazê-lo não apenas com Nouwen, que é um de meus autores prediletos, mas também com outros escritores que admiro. Segue abaixo uma reflexão desse autor sobre a gratidão.


See ya! Jon.


Como poderemos viver realmente uma vida em ação de graças?

Quando olhamos para trás e vemos tudo o que nos aconteceu, facilmente dividimos a nossa vida em várias fases, com coisas boas para agradecer e coisas más para esquecer. Mas, com um passado assim dividido, não podemos caminhar livremente em direção ao futuro. Com tantas coisas para esquecer, o máximo que podemos fazer é coxear rumo ao futuro.

A gratidão espiritual abarca todo o nosso passado, tanto os bons como os maus eventos, tanto os momentos alegres como os tristes. Do lugar em que nos encontramos, podemos concluir que tudo o que nos aconteceu nos trouxe a este lugar. Recordemos tudo isso como parte do plano de Deus que nos conduz. Isso não quer dizer que tudo o que nos aconteceu no passado seja bom, mas quer dizer que mesmo o mal não aconteceu fora da presença amorosa de Deus.
Os sofrimentos do próprio Jesus foram-lhe causados pelas forças das trevas. Mesmo assim, ele fala dos seus sofrimentos e morte como o caminho da glória. É muito difícil colocar todo o nosso passado sob a luz da gratidão. Há muitas coisas de que nos sentimos culpados e envergonhados, muitas coisas que desejaríamos que pura e simplesmente não tivessem acontecido. Mas, cada vez que temos a coragem de olhar para elas “na sua totalidade” e de as ver como Deus as vê, nossa culpa torna-se uma culpa feliz e a nossa vergonha uma vergonha feliz, porque provocam em nós um reconhecimento mais profundo da misericórdia de Deus, uma convicção mais forte de que é Deus quem nos conduz e um empenho mais radical na aceitação da vida ao serviço de Deus.

Desde que todo o nosso passado seja recordado com gratidão, adquirimos a liberdade para ser enviados para o mundo a proclamar a Boa Nova aos outros. Assim como as negações de Pedro não o paralisaram, mas, uma vez perdoado, se tornaram uma nova fonte de fidelidade, assim também as nossas falhas e traições podem transformar-se em gratidão e capacitar-nos a ser mensageiros de esperança.

Henri J. M. Nouwen
Texto extraído do livro Mosaicos do Presente (Paulinas, 2003)

2 comentários:

Carlos Xavier disse...

Jon Nouwen

Cada dia penso mais sobre o testemunho de seu pai Nouwen. Ele teve uma compreensão além do comum.
O diálogo entre a graça e o sofrimento tem sido algo cada vez mais raro em nossos dias. As pessoas tendem a fugir do sofrimento e encará-lo como algo desconexo da vida.
Valeu!
PC

Jonathan Menezes disse...

Verdade, PC.
Nouwen foi um exemplo vivo de que viver pode não ser apenas o sofrer (como quer a sabedoria budista), mas inclui sofrer. A grande questão é: se apagarmos a dor, as tristezas, sofrimentos, fracassos e lágrimas, então que valor terão as alegrias, o gozo, as vitórias, o sorriso?