terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Como será o amanhã?

Como será o amanhã?[1] Responda quem puder. “Como vai ser o meu destino?”. Assim João Sérgio inicia sua canção “O Amanhã”, com uma pergunta que é a pergunta de todos nós. Quem é que, por mais desencanado da vida que seja, já não parou para se perguntar sobre como será o seu futuro? Será feliz? A mensagem zodiacal diz que sim, que eu serei “muito feliz”. Eu respeito quem gosta de horóscopo, aliás, respeito o ser humano e as suas crenças. Mas, algum dia vocês já viram o horóscopo predizer desgraça? No máximo é alguma advertência do tipo: as vibrações do sol e de júpiter indicam que haverá algumas nuvens negativas, mas não desanime etc. O interessante é que sempre há uma mensagem de otimismo. Nos negócios sempre “bombando”, no amor muita sorte e felicidade! Um cenário sempre melhor se vislumbra...

Isso é parte de ser humano. Queremos e desejamos sempre o melhor pra nós mesmos e para quem gostamos, não é mesmo? Fins de ano: “Muito dinheiro no bolso, saúde pra dar e vender”. Mas, eu pergunto: e a vida? Será que a vida sai sempre como nós projetamos, idealizamos, sonhamos? É aí que mora o X da questão... Há muita imprevisibilidade, mistério e incertezas na vida; por mais que tentemos controlá-la a todo instante, com os punhos cerrados, somos surpreendidos pela verdade de que sempre há algo que nos escapa pelos vãos dos dedos. E, quando nos damos conta, já estamos presos nas cadeias desse “vírus” que atinge 10 em cada 10 pessoas de nosso tempo: a ansiedade.

Psicólogos definem a ansiedade como sendo “um sentimento de apreensão desagradável, vago, acompanhado de sensações físicas como vazio (ou frio) no estômago (ou na espinha), opressão no peito, palpitações, transpiração, dor de cabeça, ou falta de ar, dentre várias outras”.[2] Certa vez Jesus disse algo a respeito: “Não andeis ansiosos com a sua própria vida”. Em outra tradução, está escrito: “Não se preocupem com a sua própria vida”. Mas, como assim? Perdemos alguma coisa ou é isso mesmo? O que mais eu tenho feito na minha vida, é me preocupar: com quem vou me casar? Como vou sustentar minha família? Será que serei bem-sucedido? Será que ganharei bem? E, antes disso, será que haverá um lugar pra mim no mercado de trabalho? Muitos passam quatro, cinco, seis anos na universidade, pra quê? Pra se preparar para o futuro, em busca de um futuro melhor. Outros, como diria Zygmunt Bauman, usam esse tempo na universidade como “abrigo temporário numa sociedade afligida pelo desemprego estrutural”.

Mas Jesus ainda continua indo contra a maré e pergunta: “Não é a vida mais importante...?”. Vocês, meus amigos, Têm muito mais valor que todas essas coisas. “Quem de vocês”, perguntou ele, “por mais que se preocupe (que esteja ansioso), pode acrescentar uma hora que seja à sua vida”? Eu diria que se a nossa capacidade de planejar e realizar pudesse conter a imensidão das nossas ansiedades, acho que acrescentaríamos mais de 1000 anos às nossas vidas. Gastamos grande parte dos nossos esforços na vida, nos livrando dos “demônios” do passado e tentando controlar como será o amanhã.

Jesus, em contrapartida, tem uma resposta para a pergunta da música. Ele diz: “Não se preocupem com o amanhã, pois o amanhã trará as suas próprias preocupações. Basta a cada dia o seu próprio mal”. Seria tão bom se aprendêssemos a viver um dia de cada vez, vocês não acham? Não acredito que Jesus esteja dizendo que devemos cruzar os braços, esquecer tudo e deixar a vida nos levar, como diz a música cantada pelo Zeca Pagodinho. O que ele sugere é que invertamos nossas prioridades. Concentremos nossas atenções naquilo que importa. Em outras palavras ele está dizendo: Ame a Deus, seu reino, sua justiça, ame a vida, e siga em frente! Não podemos deixar que nossa ansiedade quanto ao que será o amanhã, nos escravize. Porque, no fim das contas, não temos resposta e nem jeito pra essa pergunta.

O que será o amanhã? Há quem acredite, como na música, que o seu destino será como Deus quiser. Já outros, preferem acreditar em si mesmos e que podem, sim, por si mesmos, mudar seu futuro, sem a ajuda divina... Eu, particularmente, creio que o meu e o seu destino só será como Deus quiser se a gente quiser que assim seja; à medida que você entrega: os teus planos, o teu futuro nas mãos de Deus e vive a vida, com todos os percalços e angústias a ela inerentes, aprendendo a celebrar sempre! Cada momento... Cada dia... Citando outra vez Bauman, “preparar-se para a vida deve significar, primeiro e sobretudo, cultivar a capacidade de conviver em paz com a incerteza e a ambivalência”. A fé é uma certeza, mas uma certeza que só germina na incerteza de caminhos belos e imprevisíveis, ou de caminhos imprevisíveis e por isso belos.

Jonathan

Notas
[1] Mensagem proferida em missa ecumênica de formatura da turma 56 de Medicina da UEL , em 23.01.2009, na Igreja Nossa Senhora da Auxiliadora em Londrina.
[2] http://www.psicosite.com.br/tra/ans/ansiedade.htm.

3 comentários:

Robinson J. De Souza (Roberas) disse...

Jon...mandou bem pra caramba...
caraca meu irmão curti muito.

Parabéns parceiro...continue nessa sua 'pegada' que sempre fará a diferença.

é nóis

Roberas

Jenifer disse...

Também gostei do texto! Beijo

Cibele disse...

Amor, gostei muito também. Bastante apropriado ao contexto em que você o utilizou. Beijos!