sábado, 15 de março de 2008

A última palavra sobre oração

“Quando ele abriu o sétimo selo, houve silêncio nos céus cerca de meia hora. (...) E da mão do anjo subiu diante de Deus a fumaça do incenso com as orações dos santos”.
(Apocalipse 8.1-5)


Vivemos em um mundo barulhento. Gritam conosco, somos incitados, convocados. Todo mundo tem uma mensagem urgente para nós. O barulho nos cerca: telefone, rádio, televisão, aparelho de som. As mensagens são amplificadas a um nível ensurdecedor. O mundo é uma multidão, onde todos falam ao mesmo tempo e ninguém se dispõe, nem é capaz, de ouvir. Mas Deus ouve. Ele não se limita a falar; também escuta. Isso é maravilha ainda maior do que Ele falar. Raramente alguém ouve com atenção toda a mensagem. Poucas vezes vemos alguém entender o que gaguejamos, decifrar nossa fala desajeitada, elucidar, ajeitar e ouvir nossa sintaxe confusa – atenção a cada sílaba, compreensão de cada nuança.
Alguém leva nossa mente e nossos sentimentos a sério. Quando isso acontece percebemos a importância imensa do que falamos e sentimos. Adquirimos dignidade. Só saberemos se pensarmos e falarmos bem, se encontrarmos alguém que nos ouça. (...) A fala verdadeira se torna possível quando alguém ouve de verdade. As palavras de nada valem se não houver quem as ouça. Silêncio no céu por cerca de meia hora: Deus está ouvindo. Tudo que falamos, cada gemido, murmúrio, tentativa de oração: Ele ouve tudo. Todo o céu se aquieta. As vozes elevadas dos anjos, as mensagens penetrantes das trombetas, os cânticos retumbantes do trono, tudo fica quieto enquanto Deus ouve. As orações dos fiéis devem ser ouvidas: os aleluias espontâneos, os améns solenes, os “Por que me desamparastes?” desesperados, os “Afasta de mim este cálice” agonizantes, os “Pai nosso que estás nos céus” confiantes, os “Tu, Senhor e Deus nosso, és digno de receber a glória, a honra e o poder, porque criaste todas as coisas, e por tua vontade elas existem e foram criadas” cheios de alegria.
Ouvem-se agora, de forma pessoal, cuidadosa e precisa, todos os salmos, ditos e cantados por todos os séculos, em vozes altas, suaves, iradas ou serenas. Deus silencia anciãos e anjos. Nenhuma de nossas palavras se perderá em um turbilhão de fofocas nem se afogará na catarata formada pelos barulhos deste mundo. “A característica distintiva da oração dos primeiros cristãos é a certeza de ser ouvido”. Percebemos que temos dignidade. Mudanças dramáticas ocorrem nesse período de silêncio. O mundo se coloca na perspectiva correta. Percebemos a realidade do ponto favorável da obra de salvação de Deus, e não mais no meio do pântano da desordem desesperadora. Adquirimos esperança.

Eugene Peterson
Extraído do livro Trovão Inverso: Apocalipse e oração imaginativa (Habacuc, 2004).


Minha oração

Querido Senhor, minhas orações muitas vezes são resultado de uma batalha travada em meu interior: contra meus sentimentos confusos, contra os ruídos exteriores que se reproduzem dentro de mim, contra a voz de meu adversário murmurando que minhas palavras terminam no vazio, e contra minha própria indisposição em abrir minha vida, desde os recônditos mais obscuros de minha alma, até às feridas mais expostas e visíveis. Mas tu, Senhor, recebe tudo isto com os ouvidos atentos, com o carinho, cuidado e compreensão de um Pai ou uma mãe que recebe seus filhos depois de uma noitada daquelas na rua. Obrigado Senhor, minha gratidão é grande por saber que tenho alguém que realmente me conhece, ama e cuida. Restaura minha confiança e ti ó Deus, e a alegria da salvação todos os dias. Desse teu filho pródigo, a quem muito tens amado. Amém!

Jonathan

2 comentários:

felipe disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
felipe disse...

abrir porta de emprego pra minha mae clelia e que ela seja coroda da da vista e que meu pai largar do visio do cigarro e e minha tia marta arrumar emprego