terça-feira, 15 de julho de 2008

Morte e vitória da consciência (I)

A consciência é como mil testemunhas”, declara o autor de Provérbios. O que isso parece significar? A mim parece que na consciência, mais que em qualquer outro lugar, habita a força do juízo. Refiro-me, é claro, a uma boa consciência, sã, equilibrada, honesta. Mas quem define isso? Diante de tanta maldade que toma conta de nossa sociedade e tem levado pessoas a cometer atos terríveis contra elas mesmas, contra outras pessoas e contra o meio-ambiente, estaríamos presenciando a morte da consciência, tal como aqui anunciada?

A consciência, segundo o enunciado acima, é como uma platéia, que assiste e julga o espetáculo de nossos pensamentos, intenções e atos. E, ao fazê-lo, ao modo de coro pela vida, pelo bem, pelo que é justo, reinicia em nós o processo no qual esses mesmos atos e pensamentos passam por uma revisão, um “check up”, onde se identifica se extrai as raízes mais obscuras e estranhas a essa militância em favor da vida e da liberdade.

O Espírito da Vida sopra à consciência, reorientando pensamentos e ações rumo à luta para que a vida prevaleça. A vitória da consciência começa com um ligeiro incômodo e termina com a mudança e reorientação da práxis pessoal. A morte da consciência, por sua vez, é lenta e gradual. Ocorre cada vez que o grito da platéia é ignorado e começa a se tornar cada vez mais imperceptível, à medida que cada uma das testemunhas começa a deixar seu posto, por desistência, abandono ou expulsão, e o que resta é o vazio de consciência.
Continua...
Jonathan