quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Sobre o Manifesto do Conselho de Pastores Evangélicos de Londrina

O Manifesto ao qual me referirei, pode ser lido no Coisado.com. Fico feliz em ver este Conselho se manifestando, e parabenizo-o pela excelente iniciativa; deveria fazer mais manifestos dessa natureza (e espero que o faça), especialmente fora das eleições, sobre questões públicas que não envolvam somente a “causa” dos evangélicos ou cristãos, como ele mesmo estimula, e muito bem, seus leitores a fazer ao final do texto.

Todavia, quero respeitosamente destacar alguns pontos no mínimo controversos e passíveis de debate do manifesto:

(1) Primeiro, ele fala de “movimentos que se levantam contra a liberdade de expressão da igreja”. Isso me parece muito mais um sentimento interno, fruto desse movimento que temos visto acontecer nas ultimas semanas em função de certos vídeos, do que algo que seja intenção clara e direta desses movimentos. Indiretamente, talvez mexa um pouco; mas não podemos afirmar que seja intenção primária. O PNDH 3 (Programa Nacional de Direitos Humanos 3), por exemplo, pretende (veja, eu disse “pretende”) defender os direitos de TODOS, desde garantir os direitos civis e humanos dos homossexuais, até “o livre exercício das diversas práticas religiosas, e a proteção de seu espaço físico”, o que inclui obviamente os cristãos, mas não SÓ os cristãos.

(2) Afirma-se ainda que o PLC 122/06 “pretende tornar criminosa toda a manifestação contrária à prática do homossexualismo”. Bem, eu li o projeto (e fico me perguntando quem mais leu, antes de se pronunciar contra ou a favor) e, pelo que li, NEM TODA manifestação será considerada criminosa (pelo menos em tese), só aquelas que efetivamente forem criminosas deverão ser punidas, como a questão do preconceito e da discriminação, em torno das quais claramente gravita esta lei.

Veja o Artigo 20, por exemplo: punirá (com reclusão de 1 a 3 anos e multa) quem “praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião, origem... orientação sexual ou identidade de gênero”. Se um pastor ou crente fizer isso (o que inclui a mim), apoio que sejam mesmo punidos como qualquer um. Ter uma posição pessoal contrária a homoafetividade não implica, necessariamente, em incitar preconceito ou discriminação contra homossexuais. Aliás, o testemunho cristão não condiz em nada com tais ações. Se não condiz, porque estamos tão preocupados? Será porque sabemos que entre nós existem fundamentalistas religiosos bem capazes de agir contra tal lei e, não só isso, contra o que o próprio Cristo nos ensinou?

(3) O texto também diz que “precisamos buscar candidatos que, além de respeitar a Constituição, assegurem também o direito da Igreja Cristã”. Correto, “também”. Afinal, ele milita num estado laico, e tem de defender os direitos de todas as pessoas de professarem publicamente suas religiões e religiosidades, mesmo as não-cristãs, e lutar por um estado social de direito, visando o bem comum – básico isso, não?

Em suma, sugiro aos irmãos e irmãs que tenham lido esse manifesto, que também se informem, leiam, pensem, meditem, orem sobre tudo o que puderem, não só antes de votar nas próximas eleições, mas também de condenar ou emitir opiniões a respeito. Do contrário, continuaremos sendo taxados, e com razão, de reacionários ignorantes, e gente que não pensa. NÃO É PROIBIDO discordar, de quem for, mesmo que seja o pastor, bispo ou apóstolo da sua igreja. Ele foi ungido e escolhido por Deus para essa função no corpo de Cristo, mas não é melhor que ninguém, e mesmo eles, os ungidos, falam besteira de vez em quando, afinal, são gente, em construção, pessoas inacabadas. A boa obra que Deus começou neles não está mais completa do que nos demais, mas há de ser completada... Até lá, eles só realizam coisas diferentes e não mais importantes que você, que não é sacerdote, e continuam sendo pecadores salvos pela graça e muito carentes dela em suas vidas, como qualquer um de nós. Discernir é preciso e pensar não é pecado!

Jonathan

Um comentário:

guilhermestutz disse...

Eu achei sua posição mais equilibrada. Pelo que li, inclusive sobre comentários sobre a lei, é que de forma alguma as igrejas poderiam ser punidas por manifestarem seu princípio de não aceitação à homossexualidade. Mas se não sabemos como lidar com isso dentro da igreja, não saberiamos fora dela.