quarta-feira, 27 de maio de 2009

Sexo é bom demais (II)

Deve-se enfatizar que o sexo, portanto, não é pecado em si. Pecados sexuais não são nem menos e nem mais pecados que os demais. C. S. Lewis disse que transformamos a sexualidade no centro da moralidade cristã. Mas, se o centro está em alguma coisa, esse centro para ele está no orgulho (o“grande pecado”, e mais perfeito estado da alma anti-Deus). É preciso ainda diferenciar cultura de revelação. A revelação é coisa divina. A cultura é coisa humana. É coisa divina também, mas porque Deus fez o ser humano à sua imagem. Contudo, há na cultura as marcas do pecado. Logo, tendemos a fazer uma confusão. Porque a revelação não se dá de modo independente da cultura, tendemos a não conseguir separar o que é revelação do que é cultura.

Assim, é preciso conhecer bem a revelação pra poder diferenciar o que são pecados sexuais, e pecados sexuais atribuídos pela cultura. Nem sempre os absolutos da igreja são absolutos de Deus. Aliás, não somos nós que alcançamos o absoluto, é ele quem nos alcança, de modo que nossa visão é sempre uma apreensão parcial do absoluto, mas nunca o absoluto em si. Precisamos levar em consideração a multiplicidade de fatores que envolver o ser humano, para analisar o sexo não da forma míope e legalista com que a igreja tem feito hoje, e sim sob múltiplos pontos de vista.

Buscamos o conhecimento como redenção, paz perpétua, e não como conflito. Por isso, caímos nos risco de dizer “sexo é...”; “isso não é...”; “isso é pecado, é absoluto”. Assim, para nós é 8 ou 80; se uma coisa é A, não pode ser B; se é B; não pode ser C. Ao passo que se consideramos o paradoxo da existência humana, deveríamos dilatar essa perspectiva e perceber que A pode ser B sim, como pode ser C, como pode haver uma fusão A_B_C.

Não podemos ser cínicos ao ponto de ficar dizendo “sexo é bom”, do nosso confortável mundo matrimonial, e olhar para os jovens e dizer “mas você não pode, viu”. É como colocar um pote de sorvete com tudo o que tem direito na frente de uma criança, dizer “hum, está muito gostoso”, para em seguida afirmar: “ah, mas você não pode, porque vai te dar gripe”. É torturante, desonesto e uma negação da vida.

Termino com uma frase de Sören Kierkegaard, escrita em 1844, em O Conceito de Angústia:
"Todo o problema da importância da sexualidade nos mais diversos domínios tem sido, até o presente, insuficientemente tratado e, sobretudo, raras vezes no tom justo. Produzir gracejos a este respeito não passa de uma arte bem miserável; fazer de censor, é demasiado fácil; extrair daqui sermões, passando por cima da dificuldade, não é menos doentio; mas falar sobre o problema de maneira verdadeiramente humana, eis o que constitui toda uma arte".
Jonathan

2 comentários:

Daniel Guanaes disse...

Fala John,
bom demais os dois posts. Atuais e relevantes pra uma geração evangélica que precisa reaprender a ver o material como algo essencialmente espiritual.
Só sugiro que você mude o nome do post. Ao invés de "sexo é bom", acho que deveria ser: "sexo é bom D E M A I S". rs
forte abraço!

Jonathan Menezes disse...

Grande Daniel,
ótima sugestão e obrigado. Já até mudei...
Abs