segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Teologia no limear entre Seminário e Igreja (I)

Fui convidado a me juntar a um processo coletivo de reflexão sobre como diminuir uma suposta distância existente entre Seminário (ou Faculdades de Teologia) e Igreja. Minha preocupação sobre a referida distância se dá a partir da teologia, isto é, em pensar a teologia como um elemento (não ocasional) que se faz, bem ou mal, presente entre essas duas instâncias e sobre cujo papel e relevância precisamos repensar. A breve reflexão que segue é a parte final do texto que apresentei na Reunião Pedagógica da Faculdade Teológica Sul Americana.

A mesma relação de aproximação-distanciamento que pensamos aqui entre seminário e igreja, Edgar Morin pensa em termos de escola e sociedade. Para ele, essa relação remonta a uma recorrência: “a sociedade produz a escola, que produz a sociedade”. E assim ele conclui: “Qualquer intervenção que modifique um de seus termos tende a provocar uma modificação na outra”. Poderíamos, ao modo desse autor, também afirmar que, até certo ponto, a igreja produz o seminário, que, por sua vez, produz a igreja? ("A cabeça bem feita", p. 101).

Se sim, podemos pensar essa tórrida relação de amizade e às vezes de estranhamento entre o seminário e a Igreja como um processo de troca. No meio está a teologia, como um produto inerente dessa troca. Ela não é fruto nem do isolamento, nem da fusão, mas da permanente tensão entre aquilo que se faz na igreja e o que se faz no seminário. Não haveria assunto para professores, teólogos e estudantes nos diferentes fóruns da academia, não fosse a presença viva e, bem ou mal, atuante da igreja em suas múltiplas facetas.

A insipidez das reflexões teológicas por um lado, e a aparente aversão da igreja pelas modalidades do pensar teológico, por outro, têm feito a igreja aos poucos passar do status de entidade filo-teológica (amiga da teologia) para anti-teológica (inimiga da teologia). Diminuir essa distância que paulatinamente se foi criando, implica em enxergar essa “crise” quem sabe como uma via de mão dupla, com ambos, seminário e igreja, assumindo o devido ônus e responsabilidades específicas por se chegar a esse ponto.

Mas como requerer isso da igreja (nossa desejável parceira e “cliente”) sem pensar seriamente na questão que ela tem nos feito: por que e em que nós precisamos de vocês? Nesse momento pelo menos, as modificações na mentalidade e prática da igreja são quem têm nos levado a modificar a nossa, e bem pouco o contrário. Mas talvez seja esse um movimento necessário para que o contrário também volte a acontecer, ou não?

A questão é que, por mais adaptados que estejamos a ela e suas demandas, os estudantes que ingressam num ambiente acadêmico sério como pretendemos que seja o nosso, ingressam para, inevitavelmente ou como fruto natural do processo, sofrer modificações que sob ou fora de nosso controle podem ser para o bem ou para o mal dessa tentativa sublime de reaproximação. Nesse sentido, ainda que não queiramos conflito com a igreja, acabamos arranjando problemas à medida que modificamos algumas cosmovisões dos estudantes; queremos que eles sejam “homens e mulheres” da igreja, mas sendo antes de tudo do e para o reino. E quem garante que as igrejas hoje querem servir ao reino? Queremos que elas sirvam, e por isso muitas vezes as confrontamos.

(Continua...)

Jonathan

sábado, 1 de agosto de 2009

Aprendendo de modelos

Há um ditado que afirma que ninguém nasce feito, nem para a vida, nem para a carreira (vocação), ou qualquer outra instância. Também quanto à fé, ninguém nasce feito. A partir do momento em que a recebemos, quando mudamos de rumo, somos caminhantes, aprendizes, sempre inacabados, sempre trilhando sendas diferentes, dispostos às transformações que se encontram na porta adiante.

A vida na fé é cheia de riscos; sem riscos, não há fé em livre exercício. E fé não exercitada é fé morta. Nosso exercício de fé é sempre baseado no exercício de fé de outras pessoas. Nossa fé, assim, é individual, mas é sempre fé em relação com outros. Logo, não é somente a minha fé, mas a fé de Jesus, de Paulo, de João, Pedro, Maria, Madalena, Carlos, Marcos, Antonio, Valéria, e tantos outros nomes cujas “fés” se juntam à minha nessa caminhada no reino do amor de Deus.

Aprender na fé é aprender de modelos. Nas cartas de Paulo, por exemplo, há seis diferentes passagens em que a palavra “imitadores” (no grego, mimetes) aparece, via de regra, expressando o fato de que não estamos sós nesse caminho. Ele diz: “Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo” (1Co 11.1). Em outro momento ele afirma o mesmo e completa: “observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós” (Fp 3.17).

Numa primeira instância, portanto, todos somos imitadores de Cristo. Tentamos andar como ele andou, nos relacionar com as pessoas conforme o modelo que nele vimos, responder ao clamores do mundo ao nosso redor de acordo como ele respondeu ao seu. O nazareno, que andou pela Galiléia, que era filho e aprendiz de carpinteiro, mas também era Filho de Deus e aquele que deu a sua vida por seus amigos – ele é nosso modelo maior. Imitamo-lo por sua graça, pela força que ele supre.

Numa segunda instância, porém, somos imitadores da fé que os outros têm em Cristo. O conhecimento cognitivo de quem foi Cristo e do que ele fazia não explica, ao todo, a existência de tantas pessoas que continuam crendo conforme a fé do crucificado e ressuscitado. A minha fé engendra-se a partir da fé do meu irmão, de como ele a exerce no dia a dia, como lida com a vida, como ama, e o tipo de ser humano que ele é.

Aprendemos de modelos e aprendemos de Jesus, modelos que nele se espelham, neste que continua vivo, caminhante, entre nós, por meio de mim, de você e de nosso próximo... O exercício de uma fé pessoal saudável é insustentável sem a presença do outro, e sem a vida em comunidade.

Jonathan

Ela (a Igreja) - Por Rob Bell

Uma das metáforas centrais para Deus e seu povo através da Bíblia a do noivo e sua noiva. Deus é o noivo; seu povo é a noiva. Eu gosto disso porque faz da Igreja “ela”. Nós precisamos reivindicar essa imagem.
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A igreja é Ela.
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Ela é um mistério, não é mesmo? Ela continua caminhando depois de todo esse tempo. Depois das cruzadas, da Inquisição e a Televisão Cristã a cabo. Continua em frente. E prossegue havendo pessoas como eu, que acredita nela como sendo uma das melhores idéias de todos os tempos. Apesar de todos os descaminhos e desvios por ela tomados. Apesar de todas as pessoas que se afastaram de Deus em função do que experienciaram na Igreja.
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Eu começo a me dar conta do por que: a igreja é como uma espada de pontas duplas. Quando é boa, quando está ligada, quando é certa, é como nada na terra. Um grupo comprometido com o serviço abnegado e o amor ao mundo ao redor dele? Maravilha. Mas quando é mau, todo o potencial se converte ao caminho oposto. E desce do altíssimo lugar dos altos ao mais baixo dos baixos. Às vezes numa mesma semana. Às vezes num mesmo dia.
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Mas ela continuará vivendo. Ela é indestrutível. Quando ela morre numa parte do mundo, ela explode noutra. Ela é global. Ela é universal. Ela está por toda parte. E enquanto ela é frágil, ela permanecerá. Em cada geração haverá aqueles que vêm beleza nela e darão suas vidas para vê-la brilhando. Jesus disse que as portas do inferno não prevaleceriam contra ela. Essa é uma linguagem forte. E é verdade. Ela continuará se propagando através das eras, servindo, doando e conectando pessoas umas com as outras e com Deus. E as pessoas vão abusar e manipular e tentar controlar a igreja, mas elas vão passar. E ela vai continuar...

Rob Bell

Trecho traduzido do livro Velvet Elvis (Zondervan, 2008, p. 172).

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Dádiva e gratidão

A cada dia percebo o quanto a vida é menos o que ganhamos, e mais o que recebemos... E o recebemos (de uma perspectiva teológica) nem sempre (ou quase nunca) porque merecemos, trabalhamos, somos honrados, os melhores, e por tudo isso possuímos todo o mérito necessário que nos faz olhar para a situação e pensar: “Puxa, eu realmente mereço estar na posição em que estou, ser quem sou, ter o que eu tenho”. Não...

O caminho de Jesus Cristo me faz enxergar que a vida é dádiva, não possessão, de modo que, se é dádiva, é também entrega, afinal de contas, tudo aquilo que supostamente é meu, conquistado com meu suor e trabalho, na verdade não é...

É, sim, fruto da graça de Deus, por intermédio da fé, a qual, como disse José Miguez Bonino, “não é um novo recurso ‘da carne’, um novo esforço, talvez o mais extraordinário, de nossa existência ensimesmada: é um ato de Deus”. (Ama e faze o que quiseres, p. 72).

Não estou dizendo que tudo cai do céu como num passe de mágica. É claro que todos comemos, bebemos, nos vestimos e nos sustentamos como fruto de nosso trabalho. É óbvio que colhemos o que plantamos – embora nem sempre, já que muitas vezes tenho que colher o que os outros plantam, seja para o bem ou para o mal. O grande erro está na atitude que tenho para com isso, quando passo a tratar a vida como possessão, e não como uma dádiva pela qual devo ser grato, sempre...

E essa gratidão não significa “olhar para o céu”, e simplesmente dizer: “Obrigado Deus”. Implica que, se recebi de graça, de graça também entregarei como princípio do Evangelho. Pela misericórdia fui alcançado para ser misericordioso também com quem necessita. “Bem aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia” (Mt 5.7).

Gostei de um vídeo de Rob Bell, o 23º da série Nooma, chamado “Corner”. Especialmente quando ele, paradoxalmente, diz que “Deus não é justo” e que devemos “espalhar sua injustiça por aí”, solapando o mérito e a suposta “justiça”. Pensando bem, Deus realmente não é justo, pelo menos não da maneira como nós imaginamos que deveria ser, de acordo com nossa idéia de justiça... Foi contra essa idéia que Jesus se opôs aos fariseus. É também contra essa justiça falaciosa que esse vídeo foi feito, a meu ver.

Sendo assim, Deus não seria justo, mas também não seria injusto; Ele é o que é, ou seja, é sempre mais do que podemos pensar ou cogitar teologicamente, embora nunca consigamos fugir de proferir a sentença conceitual: “Deus é...”.

Jonathan

Assistam ao vídeo de Rob Bell no You Tube: http://www.youtube.com/watch?v=g2nrp2L219A

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Sofrimento criativo - Por Paul Tournier

Existem pessoas que constantemente se preocupam se terão coragem de enfrentar isto ou aquilo quando envelhecerem: uma doença devastadora, incertezas ou a morte do cônjuge. Procuro sempre reafirmar a elas que enquanto a provação não está lá, a coragem também não estará. E elas serão, provavelmente, aquelas pessoas a enfrentar as provações que vierem com mais coragem.

Diversas vezes fiquei maravilhado com os recursos de coragem que as pessoas ansiosas e preocupadas revelam quando têm que enfrentar a provação real e não o fantasma da provação que povoa seu imaginário. Há mais a ser dito. Existe uma alegria extraordinária que irradia de muitos que sofrem sérias enfermidades, o que contrasta de forma surpreendente com a morosidade de tantas pessoas saudáveis que encontramos no ônibus. Qual é a explicação? Penso que isso ocorre devido ao fato de que suas vidas demandam coragem permanente, um constante expandir da coragem, e como a coragem pertence à economia espiritual, quanto mais a gastamos, mais a temos.

É como uma corrente que os atravessa e produz alegria, a alegria da vitória sobre seu destino. Esta alegria da vitória é algo que encontramos em todos aqueles que completam grandes tarefas, como quem escala até o topo de uma montanha, como os campeões de esportes, mesmo que entrem em colapso, com lágrimas de exaustão no pódio. Além disso, para uma pessoa seriamente comprometida e privada de algo, não é a vitória de um dia e sim a vitória de todo dia. De onde vem o prazer em viver? O prazer se origina mais dos desafios do que das conquistas em si.

A primeira vez que falei sobre o tema da privação foi em um encontro da Associação das Mães Solteiras. A audiência consistia de mulheres que eram viúvas, divorciadas, solteiras ou abandonadas por seus maridos, todas responsáveis pela criação de seus filhos sem a presença dos pais. O que eu queria dizer a elas sobre órfãos poderia ser um encorajamento para a vida de cada uma. Mas não precisavam de encorajamento. Fiquei espantado com a alegria que reinava entre elas. Refleti que elas também precisavam ampliar a coragem em cada dia de suas vidas, dias difíceis, e o segredo da sua alegria impressionante era a corrente de energia espiritual que as atravessava. Mas também havia o fenômeno da comunicação desta coragem, passada de uma para outra, cada percepção da coragem na vida da outra e a contribuição da própria coragem para a vida das demais. Era como uma multiplicação de reflexos em uma sala de espelhos.

A pessoa mais encorajada fui eu. Saí daquele encontro cheio de alegria. Quando a organizadora do evento entregou flores para meu jardim eu senti que ela merecia mais do que eu. Era claro que nada nos inunda de coragem mais do que um homem, mulher ou criança que demonstra coragem exemplar na adversidade. É bem mais efetivo que uma exortação. Parece-me que o mais importante a enfatizar é esta contagiante qualidade de coragem. Vejo tantas pessoas boas que genuinamente tentam resistir a todos os tipos de tentação através da fé em seus ideais, mas que se sentem frágeis perante o contagiante medo do mal, da violência, da injustiça e das mentiras que atacam o mundo. O que podem fazer a respeito disto? Sua obediência diária é valiosa, mas não parece mais do que uma gota perdida em um oceano em meio à tempestade. A bondade contagiante não é tão óbvia. No entanto, uma coisa que não pode ser negligenciada é o efeito contagiante de uma obediência excepcionalmente corajosa.

Na realidade, não penso que devemos exortar pessoas para que sejam corajosas. Para ser frutífera, a coragem deve vir espontaneamente, em resposta a um chamado interior. Consigo enumerar diversas mulheres que tiveram a coragem de desistir da idéia do divórcio em circunstâncias em que o divórcio seria até justificável. Eu não teria o papel de encorajá-las porque eram elas e não eu, que enfrentavam o sofrimento imposto por sua decisão. Jesus nos coloca em alerta sobre colocar sobre os outros, fardos que nós mesmos não carregaríamos (Lucas 11:46). Sempre observei que, quando é Deus quem nos chama para tomar este tipo de decisão, Ele também nos fortalece para suportar as conseqüências.

Paul Tournier

Texto e imagem extraídos da Revista Cristanismo Hoje (http://cristianismohoje.com.br/ch/sofrimento-criativo/)

sábado, 11 de julho de 2009

A vida: incomensurável dádiva (II)

Certa vez, Jesus convocou (chamou a atenção) a multidão que estava ao seu redor, bem como aos seus discípulos, e perguntou: “Que aproveita o homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Que daria o homem em troca de sua alma” (Mc 8.36-37).

Isso depois de redesenhar para seus (possíveis) seguidores o significado de perda e de ganho, pelo prisma e ao sabor do Evangelho. A palavra “alma”, do grego psyché, pode ser entendida como a própria vida, sopro de vida, essência vital. Jesus está perguntando: há algo nesse mundo que pode ser barganhado ou negociado em troca dela? Existe alguma coisa mais valiosa que a própria vida?

Fiquei pensando: a história de Jesus é a história de um Deus que insiste em amar e apreciar a minha a e a sua vida, de um modo tão infindo ao ponto de entregar a sua própria para que pudéssemos entender e experimentar o que é viver intensamente. E ele mesmo havia dito antes: “Ninguém tem mais amor pelos seus amigos do que aquele que dá a sua vida por eles” (Jo 15.13).

A vida, então, só encontra valor equivalente no ato de quem se entrega pela preservação da mesma vida; só a vida pode gerar mais vida, só a vida tem igual valor.

Se você, como eu, fez aquela pergunta do começo, não entenda isso como o fim da linha, mas a perceba como uma honesta e singela oportunidade de recomeço – e quantas vezes precisamos aprender a recomeçar, não é mesmo? A vida é muito mais do que se pode ganhar. Ela pode estar passando, agora mesmo, diante do seu nariz, e você assistindo de camarote, ocupado demais para perceber o que está perdendo, pois, quem sabe, já perdeu o verdadeiro sentido de “ganhar”.

É complexo, mas é simples: valorize a vida que pulsa em você e além de você. Abrace bem forte quem você ama, diga a ela ou a ele o quanto representa em sua caminhada; não perca mais as chances que Deus te dá de querer bem as pessoas ao seu redor, amando-as “como se não houvesse amanhã” (Renato Russo), e aceitando-as como elas são. Não puxe, não pressione, não force... Respeite o processo e ritmo das pessoas.

E peça ao Senhor que te dê sabedoria para aprender a curtir melhor a vida que Ele te deu. Lembre-se: a vida não é posse, a vida é dádiva! Que possamos escolher, e tornar a escolher, e de novo reaprender a escolher, a vida...

Jonathan

A vida: incomensurável dádiva (I)

Algum dia, você já amanheceu com uma sensação tremendamente incômoda, quase insuportável, de que você está perdendo a vida? A vida, digo, não essa que pulsa em você – ah, tudo bem, essa também – mas, me refiro à vida que pulsa, retine e explode, todos os dias, bem além de você.

Essa sensação vem acompanhada de um sentimento de que tudo o que realmente é importante para você – pense agora nisso, no que é mais importante – na prática, estivesse sendo pormenorizado e sufocado por todo o resto.

E por “resto”, aqui, entenda como sendo esse nosso ensejo, para alguns, ambição incontrolável, de ganhar o mundo, de se cercar de recursos, agendas, atividades, planejamentos, estratégias, metas que vão nos fazendo, às vezes, assim sem perceber, homem e mulher “biônicos”: programados para “ganhar o mundo”.

Você já teve essa sensação de que tudo o que efetivamente, nesse momento de sua vida, represente ganho, pode significar, por outro lado, a perda da essência do que verdadeiramente tem sentindo, importância e constrói para a vida?

Pois é, hoje acordei com essa sensação, e esse momento de introspecção que é quase um mergulho em si mesmo e na pergunta que não quer calar: o que de fato eu posso estar perdendo, negligenciando, pormenorizando ou não dando o devido valor em minha vida?

Você certamente já ouviu o termo “dois pesos e duas medidas”. Simplesmente não posso aplicá-lo à vida. Porque se eu paro pra pensar ou medir ou equiparar o “valor” da vida, isso significa que ela já perdeu sentido, porque ela é (adoro essa palavra) incomensurável; traduzindo: não se pode medir, porque não tem medida.

(Continua...)

Jonathan

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Deletando aquilo que nos aprisiona...

"Mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que ficaram para trás e avançando para as que estão adiante" (Filipenses 3.13)

Faço parte de uma comunidade no Orkut cujo nome é: “Sim! Eu deleto sem ler”. É uma comunidade para animais como eu, que apaga certos emails de cara, sem dó. Você também se incomoda em receber tantos emails, encaminhados, com anexo, com ppt, propagandas, lixos desinstrutivos, etc., diariamente? Pois é, bem-vindo(a) ao clube!

Fiquei pensando nesse ato de "deletar": seria tão bom se pudéssemos fazer isso com nossas memórias indesejáveis não é mesmo? Deletar sem ter que ler, lembrar, remoer, sofrer... se amargurar! Mas parece que o que acontece é o contrário, como diz a musica do Pato Fu: “As brigas que ganhei, nem um troféu com lembrança pra casa eu levei; as brigas que perdi, essas sim, eu nunca esqueci, eu nunca esqueci”.

Ela me lembra de duas instâncias: (a) a de quando lido mal com minhas perdas; (b) a de quando tendo a ressentir-me demais do passado. Reconhecer quando isso acontece, é reconhecer que estamos inacabados, no processo. Mas é também ter de reconhecer e aprender que não posso me contentar com esse estado. E que meu aprisionamento ao passado é uma das razões para meu estado de apatia.

Poderíamos chamar isso de “onipresença do passado”: culpas, falta de perdão, fracassos, arrependimentos, a morte de alguém querido, brigas... a lista é interminável. O que podemos fazer com ela? Resta-nos algo a fazer, além de lamentar, chorar, remoer, ficando presos a tais coisas?

Paulo nos convida nesse versículo a “esquecer o que fica para trás”. Será fácil isso? O que isso significa? O quanto de esforço isso demanda? O quanto de paciência isso demanda? O verbo usado em grego é “epilanthanomai”, que significa “perder de mente”, “negligenciar”. O ponto aqui, portanto, é deixar para trás, não permitir-se ser dominado por essas coisas, embora não se possa apagar as lembranças.

Após algumas poucas experiências com isso, cheguei a uma consideração parcial: “esquecer” não significa “deletar de cara”, mas estar disposto a isso, e entregar a quem efetivamente detém tanto querer quanto o realizar: Deus. Sem querer ensinar como nem quando Deus tem que fazer. Ele sabe... Não subestimemos o poder que Deus tem de suavemente nos livrar de nossos fardos. Se não damos conta de esquecer ou "deletar", entreguemos a Ele, e o mais, creia, Ele, oportunamente, fará!

Jonathan

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Nutrir a coragem de ser quem se é

"Tão somente vivamos de acordo com o que já alcançamos" (Filipenses 3.16).

Tenho a convicção de que grande parte das dores do dia-a-dia das pessoas provém da não aceitação de si mesmas como são e de sua vida tal como ela é...

Nos vemos cercados de cobranças: em casa, para ser um bom pai, bom marido, bom filho, boa esposa; no cotidiano, para ser um bom amigo, um bom aluno, um profissional bem-sucedido, um ser quase-perfeito (polivalente) em tudo o que faz e diz.

Precisamos das cobranças, é claro; elas não deixam que nos acomodemos. Mas elas podem ter também o efeito contrário se não soubermos administrá-las bem. Podemos ser tragados pelas muitas cobranças do dia a dia...

Paulo é sábio em apontar essa questão. Avaliar sua situação, esquecer das coisas que para traz ficam, e avançar para o “alvo”, não implica em pular etapas, desrespeitar os níveis.

A vida não é como um vídeo-game: tendo a senha correta, você pode pular de fase. Não! Aqui, se nós tentamos pular de fase, tendemos a nos violentar, ou violentar os outros, quando não respeitamos seus próprios progressos e o nosso. Cada pessoa tem um ritmo... Identificar o nosso ritmo próprio de crescimento e respeitá-lo é também reconhecer que estamos inacabados, é curtir mais saudavelmente a sua vida.

Paul Tillich, que escreveu “A Coragem de ser”, diz nesse livro que: “Coragem é a afirmação do ser a despeito do não-ser”. Em outras palavras, é aceitar quem somos, não obstante o fato de ainda não sermos completamente quem seremos ou quem gostaríamos de ser... Não poderemos andar de acordo com Deus se não andarmos “de acordo com o que já alcançamos”, sem atender aos clamores da falsa urgência criada pelos outros ou por nossa mente de que temos de pular etapas.

Termino com uma frase de Rob Bell, para você pensar essa semana: “Você não poderá estar conectado com Deus enquanto não estiver em paz com quem você é, da maneira como foi feito e a vida que lhe foi dada”.

Jonathan

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Convertendo nossas ilusões através da oração

Vemos vez após vez nos Evangelhos como Jesus se retirava sozinho para orar, às vezes bem antes do amanhecer. Ao orar, Jesus se dava conta, cada vez mais, de que o Pai dos Céus era quem O enviara. Era Deus que lhe dava as palavras para dizer. Ele não requereu quaisquer “prêmios” de ministério; antes, simplesmente ouviu.

Só a oração nos permite ouvirmos outra voz, ser sensíveis a maiores possibilidades, encontrar um caminho para fora de nossa necessidade de ordem e controle. Então, as questões que parecem moldar a nossa identidade já não importam tanto: Quem diz coisas boas sobre mim? Quem não diz? Quem é meu amigo? E meu inimigo? Quantos gostam de mim? Quando fazemos de Deus o centro de nossa vida, a nossa percepção de quem somos dependerá menos do que os outros pensam ou falam de nós. Deixamos de ser prisioneiros do interpessoal.

De fato, orar mostra-nos como impedir o interpessoal de se tornar um ídolo. Orar faz lembrar-nos de que aprendemos a amar só porque vislumbramos ou percebemos um primeiro amor, um amor supremo. Aqui está o caminho do amor que transcende o interpessoal: “Nós amamos porque ele nos amou primeiro” (1Jo 4.19). Encontramos liberdade quando somos tocados por aquele primeiro amor, pois é aquele amor que nos arrebatará de nossa alienação e separação. É um amor que pode aquietar nossa compulsão por acumular bens e fazer de conta que podemos organizar o futuro. É o amor que nos permite amar os outros.

Orar torna-se, então, uma atitude que vê o mundo não como algo para ser possuído, mas como um presente que nos fala constantemente do Doador. Orar liberta-nos do sofrimento que vem da insistência em fazermos as coisas do nosso jeito. Orar abre o nosso coração para receber. E orar refresca-nos a memória para percebermos como outras pessoas revelam-nos o presente da vida. (...) De muitas maneiras, orar torna-se uma atitude perante a vida, de abrir-se para um presente que está sempre vindo. Criamos coragem para permitir que aconteçam coisas novas, coisas sobre as quais não temos controle, mas que agora se nos mostram menos ameaçadoras.

Henri J. M. Nouwen
(Texto extraído do livro Transforma Meu Pranto em Dança).

terça-feira, 23 de junho de 2009

E se tudo terminasse com o "fim" (II)

Agora pense um pouco mais...

Porque toda essa orla terrorista e determinista de olhar para Deus, o Universo, e o “fim” de tudo, me fazem pensar: Por que devo crer num Deus que fez tudo isso e agora supostamente deseja destruir tudo? Não seria contraditório pensar que esse mesmo Deus, que no princípio disse que o que foi por ele feito “era muito bom”, e mais, que o ser humano, a quem ele entregou aquilo, as demais coisas da criação, que era boa, e a quem ele disse ser sua “imagem e semelhança”, agora é parte integrante de seu plano de, por vontade própria, aniquilar tudo, porque “tudo” saiu fora de seu propósito? Ora, mas qual é o sentido de pôr fim em algo “criado com sentido”?

Eu, particularmente, me vejo às voltas com essas questões e, olhando para minha própria vida, olhando para os efeitos da ação de Jesus Cristo nela e na vida de meus irmãos (na fé e os semelhantes) e de tantos outros antes de nós, conforme testemunha a história, não consigo pensar que haja um sentido real para isso tudo, e até mesmo para crer que existe um Deus, o amoroso arquiteto, se tudo, afinal, foi feito para “acabar”.

Que todo o amor e a beleza, que toda a alegria e celebração, que toda a dor e a tristeza, as lágrimas vertidas, os sorrisos e abraços verdadeiros, as horas de inquietação, a solidariedade no infortúnio, o custoso processo de crescimento e amadurecimento nessa grande fornalha de transformação que é a existência, as lutas, as perdas e as vitórias, tudo isso não tenha nenhum sentido de construção e razão, pelos quais aqui estamos e pelos quais num mundo melhor viveremos.

Por isso tudo, para mim, ainda crer nesse Deus, significa crer numa verdade mais profunda contida na Revelação. Verdade não toda ela acessível, pois se assim fosse não seria “Verdade”, mas verdade como convicção de uma vida vivida pela graça e na presença daquele que é a Verdade, Jesus Cristo; uma vida que só tem sentido porque ela tem “um sentido”, isto é, porque, ainda que ela, permeada por nossas obras, não seja uma “preparação linear e cumulativa da Jerusalém celeste”, parafraseando Jacques Ellul, a Jerusalém celestial não é negação, nem representa a destruição, mas a plena restauração dessa vida.

E essa plena restauração é o alvorecer da novidade, pela voz daquele que a carrega: “Eis que faço novas todas as coisas” (Ap 21.5). De modo que, para mim, pensar no “fim”, não é pensar na destruição completa, mas na consumação, na vinda plena do que é perfeito. Não é o desaparecimento de tudo o que é num “céu”, mas é a reconciliação de todas as coisas pela imersão de uma nova cidade, a Jerusalém espiritual, que desce dos céus, na antiga ordem e antiga cidade, negação da vida, mas ainda lugar que abriga, paradoxalmente, não a plena, mas um relance da expressão do Reino de Deus.

Essa vida tem um sentido!

Jonathan

(Texto escrito “ao sabor da pena”, para a aula de Novo testamento 7 – Apocalipse, ministrada aos alunos do 4ª ano de Teologia do ISBL – Centro Educacional Evangélico).

E se tudo terminasse com o "fim" (I)


Imagine...
1.
Que tudo o que você conhece, viu e crê até hoje; que toda a forma da criação, as belezas naturais, as belezas artificiais; que o ser humano, seus valores, convicções, relacionamentos, amores, paixões, ódios, sonhos, desejos; que o mundo, sua multiplicidade de cores, de raças, de culturas, de geografias, de histórias; que o universo, em sua imensidão, grande parte senão a maioria dela desconhecida; com toda a compreensão possível e com todo o mistério insondável, tivesse vindo do nada... Eu pergunto: você acreditaria nesse universo?
2.
Agora, pense que tudo isso e toda a complexidade dizível e indizível, tivesse mesmo sido criada por Deus. E que você, como parte disso tudo, ainda que como um “grão de areia no olho de um furacão”, tivesse sido criado de uma forma especial, única, com uma vida que só poderia ser vivida por você e por mais ninguém, com as escolhas por você feitas, com a família e o contexto em que você nasceu (afinal, nem tudo é sua escolha, certo?), e tudo o que a partir de você passa a ser gerado: outras vidas, família, um universo todo ele constituído, que tem a ver com o todo, mas que tem a ver também com você, suas habilidades, inabilidades, qualidades e defeitos...
3.
E você tem um chamado, dado especialmente pelo Criador, para realizar coisas muito boas em prol da criação dele, e do projeto que ele tem para essa criação. Você então descobre que pode, sim, até ser “apenas uma parte”, mas uma parte que tem uma importância especial em toda essa engrenagem. Deus escolheu te criar e te amar especialmente, e te vocacionar para uma missão muito peculiar Dele.
4.
Pois bem. Agora pense tudo isso na perspectiva de que um dia haverá um fim. E de que este fim, como creram muitos de nossos antepassados, está muito próximo, cada vez mais, não sabemos quando, nem como, mas esse fim virá. E conforme a tradição que recebemos, esse fim será “apocalíptico”, estrondoso; Deus virá com seus anjos e todo o seu esplendor e colocará fim em tudo isso, afinal, tudo está definitivamente corrompido, desde a queda, depravado, como crêem os “ultracalvinistas” ou os profetas do destino pré-determinado de plantão. Esse fim é iminente; nada poderá detê-lo; aliás, tudo o que o ser humano efetivamente constrói aqui contribui apenas para apressar a urgência dessa hecatombe celestial.

(Continua...)
Jonathan

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Amor mais forte que a morte

Há uma semana atrás partiu o pai de meu irmão Raoni, Joaquim Borges Pinto, a quem também considero um pai "por tabela". O texto abaixo é a transcrição das singelas palavras que tive o privilégio de deixar à família e amigos por ocasião da cerimônia fúnebre. Na mesma cerimônia, um amigo também leu um texto escrito pelo próprio Joaquim há alguns anos atrás. Ele demonstra não só sua criatividade, mas também seu exemplo de companheirismo e como semeador de esperança. O texto se encontra no post logo abaixo deste.
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“Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada? Como está escrito: ‘Por amor de ti, somos entregues à morte o dia todo, fomos considerados como ovelhas para o matadouro’. Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou. Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Romanos 8.35-39).
Sempre acreditei, contra todas as falsas expectativas e os falsos sentimentos, que o AMOR é a mais sublime e necessária de todas as virtudes, marca indelével da imagem de Deus em nós... Não porque seja um sentimento, mas porque é e se traduz em ação! Ação que nunca julga se é justo ou injusto pagar, com a própria vida se preciso for, para que outros vivam. Por isso o amor é permeado pela dor e a incompreensão. Que razão, por mais arguta que seja, consegue compreender o amor?

Jesus foi essa pessoa... permeado de incompreensão, de dor, de amor – e por isso da maior alegria! A alegria que nada pode arrancar, pois não depende das circunstâncias. Por seu exemplo podemos hoje dizer, crer, esperançar: a morte não é o fim, é o começo! Nada pode nos separar do seu amor!

Joaquim, de modo prático, entendeu isso... Ele apreciou mais a vida do próximo do que a sua própria, e isso num mundo onde grande parte de nós preocupa-se apenas consigo mesma e faz disso a coisa mais importante da vida. Ora, foi o próprio Jesus quem disse: “Ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a sua vida pelos seus amigos” (João 15.13).
“Perdemos um grande cara”, como disse o Ceará ontem nos corredores... É verdade. Mas o céu ganha também um grande cara, que orgulhou o Pai, deixando um exemplo lindo de integridade a muita gente...

Para muitos, a morte é o fim da produtividade. Eu, porém, creio que isso pode ser exatamente o contrário. Jesus também disse que “se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto” (João 12.24). E vejam que o significado pleno da vida e obra de Jesus só veio à tona após sua morte.

A morte não é o fim... Ela pode ser o início da fecundidade. Por isso quero viver na perspectiva de ser um semeador, para que um dia, quando o Senhor me levar, minhas sementes possam continuar florescendo e frutificando a 10, 100, 1000 nas vidas de outras pessoas... Isso muda um tanto nossa perspectiva, não é mesmo?

Henri Nouwen, um dos maiores exemplos recentes disso, foi quem disse: “Todos os homens e mulheres verdadeiramente sublimes que moldaram nossa maneira de pensar e agir produziram frutos que eles mesmos não puderam ver ou prever”.

Creio que todos aqui concordam que o Joaquim foi um desses seres humanos sublimes... Seus frutos ainda permanecerão por muito tempo nas vidas daqueles que tiveram o privilégio de conhecê-lo e de conviver com ele: família, amigos, companheiros de luta, gente que ele ajudou...

O amor é mesmo mais forte que a morte, vocês não acham?

E que Deus possa consolar e dar esperança aqueles que ficam, para seguirem suas vidas longe da mediocridade, marcados pelo exemplo de luta, coragem e altruísmo deixado pelo nosso amado companheiro Joaquim!

Fraternalmente,
Jonathan

Eu queria...

Eu queria...

Que uma brisa vinda do sul a mim trouxesse a Dulce, a Olga e a Roseli, e que nas asas da imaginação encontrássemos o Wanderley e o Paulo;

E então, nos oníricos caminhos dos sonhos buscássemos o João e o Silvio. E assim, juntos, cavalgaríamos Pegasus e avistaríamos a Regiane à sombra da árvore do fruto sagrado e mais adiante o velho Irineu sentado no Caminho de Compostela e que, por sua fé, flanaríamos até o Joseph e o Josué que, juntos, filosofariam sobre o sentido da existência.

Aí todos nós trilharíamos sobre as plácidas águas do mar azul. E lá, no fim do azul do mar, dormitariam o Celso e o Negão em seus devaneios sobre a pureza das crianças...

Ahh! As sendas das purezas... depararíamos com o Wander, o Jair, o Marcão e o Ademir envoltos no véu sacro da sabedoria.

Mas eu queria chegar no topo da montanha impossível. Era preciso juntar todos os estóicos e os bravos. Eis que, num átimo de tempo surgem dourados por brilhos estelares, o Tom, o Sérgio, o Benê e a Rosilene.

Seria, pois, a hora da ascensão ao cume; e um tosco pássaro branco viria dos confins dos sertões e nos levaria em suas asas, como num raio de luz, às bordas da montanha impossível e, de lá, trombetearíamos aos quatro ventos:

Um outro mundo é possível!

Joaquim Borges Pinto
(Escrito em 26 de março de 2003)