quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Sexualidade: repensando nossa definição - por Rob Bell

Se tomarmos seriamente a compreensão de nosso estado natural, devemos repensar o que sexualidade é. Para muitos, sexualidade é simplesmente o que acontece entre duas pessoas envolvidas num prazer sexual. Mas isso é apenas uma pequena porcentagem do que sexualidade é. Nossa sexualidade tem a ver com o todo dos caminhos pelos quais nos esforçamos para nos reconectar com o nosso mundo, uns com os outros, e com Deus.

Um amigo meu tem dedicado sua vida para estar ao lado daqueles que têm sido esquecidos e oprimidos. Ele está no começo dos trinta anos, é solteiro, e ele fala abertamente sobre seu celibato. O que torna sua vida tão poderosa é que ele é uma pessoa muito sexual, porém ele tem focalizado sua sexualidade, suas “energias para conexão”, num grupo específico de pessoas.

Algumas das pessoas mais sexuais que conheço são celibatárias.

Elas dormem sozinhas.

Eles têm escolhido se doar para várias pessoas, para servir e a dar e assim conectam suas vidas a causas muito dignas. Esses amigos me ajudaram a entender por que a Red Light District[1] em Amsterdam é tão sexualmente reprimida. Se você algumas vez já andou por essa parte da cidade, onde a prostituição é legal, você sabe que pode ser um pouco controverso ter aquelas mulheres na vitrine gesticulando para você, te convidando para entrar e fazer “sexo” com elas.
O que é mais espantoso é perceber o quão não-sexual toda aquela parte da cidade é. Tem um monte de gente “fazendo sexo” dia e noite, mas não passa disso. Não há conexão. Essa é, na verdade, sua única forma de funcionamento. Eles concordam em pagar certa taxa para a performance de certos atos, ela faz performance pra eles, ele a paga e ambos partilham um desempenho. A única maneira de eles se encontrarem outra vez está na improvável possibilidade de ele retornar e eles repetirem a performance. Não há conexão, não obstante.

Então na Red Light District há uma série de interações físicas sem conexão. Há um monte de pessoas tendo um sexo físico – para alguns isso é trabalho – e aquele ainda não é um lugar realmente sexual.

Tem até um termo que alguns utilizam empinando a face – “sexo casual”. O raciocínio que se tem, freqüentemente é: “É apenas sexo”.

Exatamente. Quando o que rola é apenas sexo, então é tudo o que é. Deixa a pessoa profundamente desconectada.

Você pode ter sexo com muitos, e ainda estar sozinha. E quanto mais sexo você tiver, mais sozinha estará. Ao mesmo tempo é possível dormir sozinho e celibatário, e ser muito sexual. Conectado com muitos. Igualmente é possível estar casado com alguém compartilhando da mesma cama e até tendo sexo regularmente e permanecer profundamente desconectado.

Há um ditado que afirma: “Você é apenas tão doente quanto seus segredos”. Isso é verdade também para os relacionamentos. Se há segredos não partilhados, tópicos que não podem ser discutidos, coisas do passado proibidas de serem trazidas à tona, podem matar um casamento.
Então eles estarão dormindo juntos, mas eles estarão realmente dormindo sozinhos.

Rob Bell
(Trechos traduzidos do livro Sex God. Grand Rapids: Zondervan, 2007).

Notas
[1] Distrito da Luz Vermelha, lugar da prostituição legalizada em Amsterdam.

2 comentários:

Boff disse...

Jon,

Coloquei um "link" para o seu blog no meu!

Abraco
Stu

Vítor Carvalho Ferolla disse...

O PAVA está fazendo uma Newsletter só para blogueiros e dessa vez é sério.

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