segunda-feira, 5 de maio de 2008

Henri Nouwen: o sofrimento que cura

Minha própria percepção é de que se Deus não é pessoal e, por isso, aberto para chorar comigo em minhas tristezas, tampouco será capaz de rir ao meu lado em minhas alegrias ou se regozijar na minha prosperidade. Em Jesus, assim como na experiência de Jó e de tantos outros, não consigo ver um Deus intocável e insensível de tão poderoso que possa ser, mas, por ser tão poderoso, enxergo um Deus que se “rebaixa” se for preciso pra ter compaixão e misericórdia da minha miséria e que caminha comigo, uma ou dez de milhas, tanto no contexto das minhas dores como de meus maiores prazeres, em meio a alegrias que se conjugam com tristezas. Esse é o sentido da espiritualidade para Henri Nouwen.

Não se resume na simples idéia de realizar performances e sacrifícios para Deus, mas em convidá-Lo a entrar em nossas vidas de modo que Ele possa chorar com a nossa aflição ao mesmo tempo em que sofremos com as dores de Seu Filho e, conseqüentemente, compartilhemos do sofrimento do amor de Deus por um mundo ferido e proclamemos libertação. Conforme diz Nouwen, “assim como Jesus, quem proclama a libertação é convidado não só a cuidar dos próprios ferimentos e dos ferimentos do outro, mas também a fazer de seus ferimentos uma fonte maior do poder que cura” (O sofrimento que cura, p. 119). Para Nouwen, um ministro ferido pode e deve ser também um ministro que cura. Mas, para sermos “servos da cura”, antes é preciso identificar, entender e aceitar nossa própria dor.

“Nenhum ministro pode esconder sua experiência de vida daqueles aos quais quer ajudar”, afirma Nouwen, ao mesmo tempo em que não se pode empregar mal o conceito de ministro ferido defendendo uma forma de “exibicionismo espiritual” (O sofrimento que cura, p. 127). Esse é um tipo de equilíbrio que este autor encontrou contra possíveis questionamentos daqueles que porventura acharem que o conceito de ministro ferido é mórbido e doentio, contradizendo, por exemplo, a idéia de auto-realização, auto-estima, auto-preservação, auto-auto, etc., tão usadas no contexto pós-moderno (o que inclui as igrejas). Ou seja, vivemos nossas “vidas espirituais” como alpinistas de egos, parafraseando Philip Yancey.
Jonathan

2 comentários:

Anônimo disse...

Achei muito bacana a reflexão.

Li a mesma coisa em:

http://blog.cancaonova.com/acorrentados/2008/12/29/o-sofrimento-que-cura/

Isto é plágio?

Jonathan Menezes disse...

Caro anônimo,
acabei de enviar o seguinte email para a Canção Nova:

Olá,
gostaria de fazer uma denúncia a um dos blogs de vocês. O autor do blog "Acorrentados" colocou um texto meu na íntegra sem fazer uma citação sequer da fonte, de meu nome, nem nada. Foi extraído de meu blog (www.escreveretransgredir.blogspot.com), são textos de minha autoria sobre Henri Nouwen que postei lá. É lamentável ver o nome de uma instituição respeitada como a Canção Nova envolvida numa falta de ética tremenda como essa. Não quero ter de denunciar ou processar o site de vocês, que hospeda o referido blog. Portanto, peço que tomem providências. Não precisa tirar o texto de lá, basta citar a autoria, pois isto é PLÁGIO!
Agradeço a atenção e conto com o bom senso de vocês.
Jonathan

Acho que ele responde a sua pergunta.