
Afirmar que nosso conhecimento não é capaz de “dar conta”, de deter a verdade ou alcançar a verdade objetiva, não significa dizer que “não existe mais uma verdade absoluta”, e sim que não pode haver uma visão (humana) absoluta da verdade. Alguns dirão que sim, ela existe, outros dirão que não, porém, não está na boca do pós-moderno (se está, ele não pode ser assim considerado) o determinar se há ou não há uma verdade “lá fora”.
Alguém que se autodenomina pós-moderno pode, por exemplo, não crer na existência de Deus, porém não poderá dizer (porque é incapaz de provar, e nem estaria preocupado em “provar” coisa alguma) que Deus não existe (isso é coisa dos modernos ateus). Se há uma virtude nos pós-modernos, pelo menos assim vejo, é o não julgar ou achincalhar a experiência e crenças alheias em detrimento das suas. Acho que isso é algo que podemos aprender com eles (ou alguns deles), sem deixar de crer e viver o Cristo-verdade, nem tentar impor isto aos outros como alguns de nossos irmãos ainda o fazem, consciente ou inconscientemente.
Vivemos, penso eu, em uma tensão: a de afirmar com a vida e com o discurso que “Cristo é a verdade” e, ao mesmo tempo, não sermos capazes de conter essa verdade em nossas declarações. Isto significa que, uma coisa é a Verdade (Cristo), outra é o que falamos sobre ela e como a entendemos. Tentar igualar as duas é render-se a uma das mais comuns tentações do saber, que Friedrich Nietzsche chamou de “igualação do não igual” ou identificação do não idêntico. Significa assassinar a própria verdade – e aí sou obrigado a concordar com Nietzsche: muitas vezes, “nós matamos Deus”.
Assumir, por outro lado, as limitações de nossa “fala sobre a verdade” não significa abrir mão dela ou dizer que ela não existe, mas implica em assumir, como Paulo o fez, que “em parte conhecemos e em parte profetizamos”. E é uma benção que sejamos, pensemos e saibamos assim, parcialmente. Precisamos, sem medo, mas com “temor e tremor”, assumir a coragem de ser como somos e de ser “como uma parte”, sobre a qual falou Paul Tillich em seu livro “A coragem de ser”. Para tanto, porém, é necessário abrir mão de algumas coisas, a começar pelo “orgulho de ser”, de saber, de possuir a verdade. Não contenho (e nem poderia possuir) a verdade. Quero, pela graça de Deus, estar contido nela...
Jonathan










