quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Liberdade não domina, liberta

1.
A liberdade cristã , parafraseando de John Stott, consiste na libertação pessoal de meu tolo e diminuto ego, a fim de viver responsavelmente em amor a Deus e aos outros.
2.
Liberdade não é, por assim dizer, afastamento nem tampouco dominação. Na acepção de Jürgen Moltmann, “quem entende a liberdade como dominação, na verdade só conhece a si mesmo e sua propriedade". É uma grande incoerência chamar de liberdade o que, para outros, é só opressão: a liberdade-riqueza que torna outras pessoas pobres; o livre exercício de um poder que apenas escraviza os seus “súditos” – homens, mulheres e crianças. A liberdade, por sua vez, só acontece quando reconhecemos os outros e por eles somos reconhecidos. Essa é a liberdade como comunhão. Segundo Moltmann, “sou verdadeiramente livre quando abro a minha vida aos outros e com eles compartilho, e quando os outros abrem a sua vida para mim e compartilham comigo”.
3.
A liberdade como dominação é a liberdade que pretensamente se “conquista”, seja por meio da disputa e do embate aberto com o outro, ou por intermédio da fuga para dentro de si mesmo (egocentrismo). Mas liberdade, num sentido mais profundo, não é conquista, mas é recebida como dom de Deus. Assim como há somente um único Deus, o qual nos concede o dom da liberdade, logo há também uma única via de liberdade, que é a que procede desse Deus. Existem possibilidades de interpretação, tematização e compreensão dessa liberdade, por meio de diversas fontes. Contudo, ela se une com aquele que a gerou.
4.
Também não existe liberdade genuína para o ser humano fora da relação com Deus. Se a liberdade humana não está centrada em Deus, perde seu foco e sua essência, passando a ser propiciação autocentrada, isto é, o “eu” é quem comanda a liberdade de si e para fora de si mesmo. E, ao invés de liberdade, tem-se uma das piores formas de dominação, orientada para o ego: a libertinagem. João Batista Libânio afirma que “vive mais profundamente a liberdade cristã um ateu que orienta sua vida para a comunhão com os irmãos, sacramento da união com Deus, mesmo sem disso ter consciência reflexa, que um cristão que vive a liberdade na solidão do egoísmo, rompendo a comunhão com os irmãos e com Deus”.
Jonathan

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Liberdade ou segurança?

Como vivenciar uma sem ter de sacrificar a outra? Como se ter uma sem o prejuízo da outra? O sociólogo polonês Zygmunt Bauman, um dos autores que mais tenho lido nessas férias, demonstra essa preocupação em seu livro "Comunidade: a busca por segurança no mundo atual" (2000). Ali ele afirma que liberdade e segurança, ambas igualmente urgentes e indispensáveis, são diíceis de se conciliar sem atrito. Assim, concebe-se o curso da história como "pêndular". Facilmente se vai do pêndulo entre uma liberdade sem segurança ou o de uma segurança sem liberdade.
2.
Destaco a seguintes palavras de Bauman:

"A promoção da segurança sempre requer o sacrifício da liberdade, enquanto esta só pode ser ampliada à custa da segurança. mas segurança sem liberdade equivale a escravidão...; e a liberdade sem segurança equivale a estar perdido e abandonado (...). Essa circunstância provoca nos filósofos uma dor de cabeça sem cura conhecida. Ela também torna a vida em comum um conflito sem fim, pois a segurança sacrificada em nome da liberdade tende a ser a segurança dos outros; e a liberdade sacrificada em nome da segurança dos outros; e a liberdade sacrificada em nome da segurança tende ser a liberdade dos outros".

3.
Uma resposta de matriz cristã, encontraria sua resolução nessas últimas sentenças de Bauman: Ambas, liberdade e segurança, são "sacrificáveis" pelos outros. Se a escolha pela liberdade resulta em sacrifício da segurança (dos outros), logo, o cristão sacrifica a sua "liberdade pessoal" em nome dessa vida pelo outro - que, em si, nos remete ao verdadeiro significado da liberdade do tipo cristã. Se minha segurança fere a liberdade dos outros, ou o inverso, sacrificarei minha segurança para que o outro seja mais livre. Parece que a visão cristã sempre conduz a uma auto-sacrificação do eu em nome dos outros.
Ainda quero continuar nesse assunto...

Jonathan

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Ano novo, Vida nova? (II)

1.
Vida nova? Bem, a vida segue, e ela não se renova apenas com votos e nem com a passagem de ano – que pode ser vista como simples mudança no calendário – porém, se renova à medida que a mente e o espírito se renovam. E como se renovam? Se, e somente se, compreendemos que “viver em novidade de vida” conforme o Evangelho é uma proposta muito mais abrangente e não cabe na agenda triunfalista dos fins de ano e nem pode ser comercializada. Paulo, o apóstolo, diz: “Assim também andemos nós em novidade de vida”.
2.
O primeiro passo para isso já foi dado por Cristo na cruz, sepultando consigo nosso estado de condenação e culpa pela escravidão do pecado; o segundo quem dá somos nós, na energia e força do Espírito, quando sepultamos aquele velho ser imerso em pecado e ressuscitamos para uma nova vida em Cristo.
3.
Vida que se revigora na renovação diária de nosso compromisso com Ele, na dependência de seu Espírito. Nossos planos, votos, felicitações triunfais de nada servem se estiverem fora desse propósito. Nada de “novo”, se essa novidade não partir de dentro pra fora, na metanóia diária que deve se impor como confrontação aos paradigmas desse século: “E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm 12.2). Em outras palavras, não se trata de uma vontade que se revela magicamente, mas pela vivência e ação: renova-ação, inconforma-ação e obediência aos valores revelados no Evangelho. E nisso não tem nada de “Abracadabra”.
4.
Novo ano, vida nova? Nem sempre. Nada pode ser feito novo se não for entregue em “mãos maiores”, aquelas que possuem a primeira e a última palavra: “Haja luz” e “Eis que faço novas todas as coisas”. Portanto, para esse ano que já nasceu, prefiro fazer um voto-oração mais bíblico e realista: que a graça nos conduza para uma vida nova em Deus, conforme Deus e para Deus!

Grande beijo e feliz 2009!
Jonathan
(Foto: Rio Sena, Paris)

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Ano novo, Vida nova? (I)

É muito comum nas passagens de ano ver as pessoas fazendo votos, promessas e desejos para o ano que vem. E nesse não foi diferente. Feliz 2009? Nada de novo debaixo do céu. Sempre ouvimos os mesmos votos de felicidade, saúde, paz, alegria, prosperidade, sorte no amor, na vida, nos negócios... O “blá, blá, blá” de antigamente é o mesmo de hoje, com algumas nuances. Felicidade, antigamente, era uma palavra mais ligada a coisas singelas da vida, como casar, ter um filho, receber flores. Hoje tem se tornado objeto de comércio e marketing, por parte dos veículos de comunicação, empresas e até igrejas. “Mas que mal há nisso?”, talvez algum(a) leitor(a) pergunte intrigado(a).

Está certo, mal pode até não fazer – que mal pode haver em se desejar coisas boas, um recomeço, uma vida nova, um ano novo? Porém, em que medida realiza o bem? Esse “bem” não é apenas o fazer-se-sentir-bem dos psicologismos auto-estimulantes e das “piedades pervertidas” (Ricardo Quadros Gouvêa) de nosso tempo, mas um “bem” conforme os padrões Divinos, que nem sempre (ou quase nunca) coadunam com as expectativas irrealísticas reverberadas por cada um de nós, ano após ano. A esse respeito, a palavra de Deus ao profeta Jeremias me chama atenção: “Eu é que sei os pensamentos que tenho a vosso respeito; pensamentos de bem e não de mal, para vos dar o fim que desejais” (Jr 29.11).

O “fim” aludido no texto é bem específico, e não genérico – pois diz respeito ao anseio mais premente do povo naquele instante: a libertação do cativeiro na Babilônia. Logo, não é um texto a ser aplicado deliberadamente (e há algum que pode ser?). A lógica da banalização, se pudesse prever, pode ser resumida no seguinte: ora, se os pensamentos de Deus são de bem, para dar o fim que eu desejo, então Deus (que é o “Deus dos impossíveis”), está disposto a mover céus e terra para me beneficiar – como fazer parar uma chuva, apenas para que eu possa ir de um lugar a outro sem me molhar, por exemplo. Essa lógica é furada. Primeiro, porque transgride o sentido bíblico. Segundo, porque promove uma transferência de vontades: de mim para Deus e de Deus para mim, como se entre ambas houvesse uma perfeita harmonia e como se o que pensássemos ser “muito bom”, em qualquer situação, de fato realizasse o bem de Deus em nós.

Desse modo, invertemos os paradigmas, subvertemos as “vontades” e simplesmente absorvemos as prioridades que estão na agenda da humanidade ano após ano, como se elas representassem a todos num todo, como se convergissem com as dinâmicas da realidade e ainda conseguissem manipular a Deus, que simplesmente assina embaixo e abençoa a todos, fazendo o papel do “bom velhinho”. Honestamente, chamem-me de cético, chato, pessimista ou do que quiserem, mas isso tudo não passa de ritual vazio e quimérico papagaiado por todo mundo todos os fins de ano sem a devida reflexão e percepção da realidade ao redor. Falta-nos sensibilidade e criticidade e muito mais.

Jonathan

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Neste natal, você precisa engravidar!

Maria... achou-se grávida pelo Espírito Santo” (Mateus 1.18).
Sob certo ponto de vista, o natal é uma festa religiosa como qualquer outra, onde se comemora o advento, a vinda do “menino Deus”. Mas por que celebrar a vinda de Deus se, durante todo o ano, tocamos nossas vidas como se ele não existisse? O que, de fato, as pessoas estão celebrando? Celebração por celebração existem tantas outras – aniversário, dia das mães, dos pais, das crianças, das mulheres, etc. Assim, o que faz – ou deveria fazer – do natal uma celebração tão especial?
Para mim, o natal traz uma notícia especial: a de que, queiramos ou não, acreditemos ou não, não estamos sozinhos nesse mundo. Foi-nos enviado o Emanuel, que significa “Deus conosco”. O barco da história não está à deriva. Deus está nele com a gente. A salvação está hoje-já-aqui-presente. Deus, como diz uma canção, “não vive longe lá no céu sem se importar comigo”. Ele se encarnou para viver em e com a humanidade.
Nesse sentido, chama-me a atenção a metáfora utilizada por William P. Young, autor do livro “A Cabana”, de que, em Jesus, vemos um Deus que, ao contemplar a desgraça da humanidade e o caos no mundo, arregaçou as mangas e se meteu “no meio da bagunça”. Foi Jesus mesmo quem disse: “O reino está entre vocês”. Não de maneira estrondosa, como os grandes e pomposos reinados humanos, mas silenciosa e revolucionária. As visibilidades e sinais do reino são pessoas que levam a sério o chamado de Jesus e encharcam suas vidas e a de outras pessoas com amor, paz, justiça, solidariedade, equidade, liberdade, compaixão, enfim, a lista é grande.
Então, por que ainda persiste esse sentimento todo fim de ano de que a mensagem do natal “cai no vazio”? Vazio que tem sua maior expressão quem sabe no consumismo, um dos deuses deste século. Porque, em muitas pessoas, mesmo as mais religiosas, Jesus ainda não nasceu. Pode ter nascido na história, mas ainda não no ser das pessoas. E o que é preciso acontecer antes do nascimento? Todos sabem que é a gravidez. Maria foi engravidada pelo Espírito de Deus. Tem gente que ainda conta a história da cegonha para seus filhos, e acho que, para muita gente de religião, “Jesus” veio pela cegonha, ou seja, não nasceu de fato, foi encomendado, é um “Cristo genérico”, parafraseando Eugene Peterson, ou um Jesus “Genésio”.
Para que Jesus nasça em nós e para que o natal tenha sentido, precisamos nos deixar ser engravidados pelo Espírito. Somente ele pode nos engravidar de Jesus, do Deus conosco operando em nós aqui e agora. O sacerdote (padre, pastor, xamã, guru, pai de santo, etc.) não é capaz, nem a religião, nem as boas obras, nenhuma criatura, nenhum rito, culto, sacrifício, nada. Por isso, deixe o Espírito te engravidar da vida plena: de liberdade, de sonhos, de projetos de vida que sejam um convite para que o “Deus conosco” esteja em todos eles, no próximo ano e para o resto de sua vida.
Pense nisso, e abra de uma vez por todas sua vida para que o Espírito de Deus te engravide de Jesus! Grande beijo e um feliz natal!
Jonathan

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

E se todos os dias fossem como o natal...

A recomendação do rei Herodes Antipas aos três reis magos era para que eles fossem até o local onde estava o menino, o reconhecessem e depois voltassem com as indicativas do caminho para que, posteriormente, ele também pudesse ir e “adorá-lo” (Mt. 2:8). Mas a estrela parece ter “aberto os olhos” daqueles magos em todos os sentidos: quanto aos intentos malévolos de Herodes (o que na verdade foi-lhes revelado em sonho), para uma realidade maravilhosa que estava por vir, jamais antes experimentada pela humanidade, para o próprio Deus encarnado em uma criança recém-nascida. Naquele momento parece ter havido uma mudança de sentido, uma conversão de motivações e emoções. A curiosidade transformou-se em certeza, e o vazio foi preenchido por uma “profunda alegria”.

Natal é tempo de mutações. Não apenas as cidades ficam mais bonitas e coloridas, com suas agitações típicas e decorações peculiares, mas o comportamento das pessoas também parece mudar. Ainda que por pouco tempo, a fraternidade substitui o individualismo, a solidariedade toma o posto da indiferença, a superficialidade e fugacidade que marcam a vida nos grandes centros dão lugar à generosidade, à compreensão e ao amor. “Reconciliação” seria a palavra exata para expressar tudo o que estou dizendo. Não seria este o “espírito do natal” de que tanto se fala? Ora, não me refiro aqui ao “espírito” consumista que contagia as pessoas nesta época, nem tampouco aos presentes, árvore de natal ou Papai Noel. É inegável que tudo isso influencia e muito. Mas ao que verdadeiramente faz do natal um tempo diferente: Jesus.

Ah, e se todos os dias fossem como o natal? Se Jesus deixasse de ser apenas um símbolo guardado na memória, de quem nos lembramos por conveniência, como quem tira um coelho da cartola, apenas em datas comemorativas do calendário “cristão”, passando a ser o referencial de vida das pessoas que o apontam como o “verdadeiro sentido do natal”, todos os dias do ano? Então poderíamos finalmente viver o natal como é para ser vivido, como um interminável tempo de Graça, como uma estrela sempre presente no céu a brilhar, nos lembrando de que o Emanuel permanece conosco, enchendo-nos de paz e alegria, transformando-nos para que transformemos este mundo, e produzamos frutos “dignos de arrependimento”, trazendo de volta à vida aqueles a quem Ele quer bem.

Jonathan

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

O Milagre do Natal

A aparição daquela estrela os encheu de profunda alegria” (Mateus 2.10).

Fico tentando imaginar a sensação daqueles três reis magos, que vieram do Oriente, ao contemplarem a estrela que apontava para Belém, onde algo muito importante tinha acontecido, algo que mudou a história de todos nós. Tente pensar comigo como seria a manchete no jornal da época (se isto existisse): “Extra, Extra. Nasceu o Rei e Salvador dos judeus – na manjedoura localizada numa pobre estrebaria”.

Este é o tipo de notícia que, naquele tempo, seria motivo para umas boas gargalhadas. E sabe por quê? Porque todo rei que se preza, nasce em “berço de ouro”, no palácio real, em meio a muito conforto e mordomia. É assim que todo mundo pensa. Esse era o tipo de salvador que todo mundo esperava. Então, como pôde um menino, que seria chamado “rei”, nascer num lugar sujo, pobre, provavelmente fedido e cheio de animais ao redor? Como pôde ser filho de uma simples camponesa e de um carpinteiro?

Eis a resposta que nem todos entendem: o rei Jesus é um rei diferente. É um rei que veio para fundar um reinado em que não importam os bens e valores materiais que se possa conquistar. Um reinado que não tem um palácio, nem está em um lugar ou um tempo determinados. Mas, sim, é um reino que se constrói com outros tipos de valores, como paz, alegria, justiça, igualdade, liberdade, compaixão e, sobre todos esses, o amor. O amor a Deus e às pessoas desse mundo. São valores do reino de Deus, que é o reino que Jesus veio inaugurar.

Esse reino é feito de pessoas falhas e pecadoras como eu e como você! Tudo isso, por todos nós, meninos e meninas, homens e mulheres, seres a quem Deus ama muito. E é por causa desse grande e eterno amor, que Deus nos chama para viver no seu Reino. Essa é alegria e o grande milagre do natal: de podermos fazer festa, porque Jesus veio para convidar a gente pra fazer parte do seu reino! Que grande notícia, é a boa notícia. Então, façamos festa e espalhemos aos outros essa notícia: “nasceu o nosso Salvador e Rei!”

Jonathan

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

As conexões entre sexualidade e espiritualidade

A intenção de Rob Bell ao explorar nesse livro Sex God as conexões entre sexualidade e espiritualidade me parece salutar e relevante.

Primeiro, porque as histórias da Bíblia convergem para a “conexão”, de um Deus que a todo o momento deseja relacionar-se com seu povo e sua criação, mas cuja intenção nem sempre é genuinamente correspondida. Isso, devido aos muitos obstáculos criados pelo ser humano, que o conduziram ora a um relacionamento superficial com Deus, de troca, barganha, legalismo e expectativas, ora a uma rejeição prática, à medida que se assentiu ao convite tentador da serpente para ser “como Deus”, declarando, assim, sua (nossa) independência.

Segundo, porque as pessoas de nosso tempo estão cada vez mais “antenadas” a tudo que acontece ao seu redor, e cada vez menos capazes de contrair experiências duradouras e profundas, vivendo, portanto, uma história sem raízes, relacionamentos descartáveis, vidas que não se conectam a outras vidas.

A posição de Bell, todavia, é suficientemente clara: você pode, de diferentes maneiras (e o sexo é uma delas), “estar” com um número variado de pessoas e não permanecer conectado a nenhuma; de igual modo, pode-se ter uma gama apreciável de performances rituais e “espirituais” para Deus ou até gabaritar na prova de conhecimentos bíblicos, sabendo a Bíblia “de cabo à rabo”, e não saber absolutamente nada sobre Deus, visto que Deus é amor, e está muito mais interessado na intensidade de nosso amor que na quantidade de nosso conhecimento, sendo o verdadeiro saber – dádiva Divina – qualidade inerente daquele que ama, conforme Deus ama (ágape).

E o amor pressupõe conexão e profundidade. E o sexo com amor é o prazer que conecta, liberta e completa os amantes para serem um do outro e um para o outro. Não foi assim que Deus designou no princípio? Da costela do homem, Deus havia criado a mulher. Eles não apenas tinham a mesma natureza (húmus – pó – humano), mas haviam sido criados para viver em permanente conexão entre si, e com seu Criador. “Por isso, deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne” (Gn 2.24).

O sexo é uma dessas bonitas e benditas expressões da criação. Duas pessoas diferentes e especiais se unem; seus corpos se tocam, se interpenetram; de duas carnes, uma só se faz. E a conexão não está apenas nos corpos que se juntam, mas nas almas que se encontram. Assim, pode-se dizer como a mulher no Cântico dos Cânticos: “Eu sou do meu amado, e o meu amado é meu”. E assim se completa o desejo do Senhor: a pela realização do ser humano, como mais fina expressão de seu amor e presença nele e com ele. Logo, esse amor não pode ser algo abstrato ou virtual, como um beijo que se manda pelo Messenger ou um “scrap” pela página do Orkut. Mas é a presença de Deus reverberando em nós, através de relacionamentos vivos e reais entre pessoas de carne e osso; é o Deus-concoso-aqui-já-sempre.

O pecado, portanto, não habita no sexo, nem em nada que lhe diga respeito. Ele habita, sim, no ser. Enquanto o ser estiver corrompido, todas as suas relações também estarão. O amor, por sua vez, é o “vínculo da perfeição”, como diria João. Onde houver amor, haverá o sólido convite e possibilidade para que vivamos a plenitude de Deus com alegria, gozo e liberdade. “Ame e faze o que quiseres” (Santo Agostinho). Sem amor nada somos e tudo o que fazemos torna-se nonsense, parte de uma precária provisoriedade.

Jonathan

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Sexualidade: repensando nossa definição - por Rob Bell

Se tomarmos seriamente a compreensão de nosso estado natural, devemos repensar o que sexualidade é. Para muitos, sexualidade é simplesmente o que acontece entre duas pessoas envolvidas num prazer sexual. Mas isso é apenas uma pequena porcentagem do que sexualidade é. Nossa sexualidade tem a ver com o todo dos caminhos pelos quais nos esforçamos para nos reconectar com o nosso mundo, uns com os outros, e com Deus.

Um amigo meu tem dedicado sua vida para estar ao lado daqueles que têm sido esquecidos e oprimidos. Ele está no começo dos trinta anos, é solteiro, e ele fala abertamente sobre seu celibato. O que torna sua vida tão poderosa é que ele é uma pessoa muito sexual, porém ele tem focalizado sua sexualidade, suas “energias para conexão”, num grupo específico de pessoas.

Algumas das pessoas mais sexuais que conheço são celibatárias.

Elas dormem sozinhas.

Eles têm escolhido se doar para várias pessoas, para servir e a dar e assim conectam suas vidas a causas muito dignas. Esses amigos me ajudaram a entender por que a Red Light District[1] em Amsterdam é tão sexualmente reprimida. Se você algumas vez já andou por essa parte da cidade, onde a prostituição é legal, você sabe que pode ser um pouco controverso ter aquelas mulheres na vitrine gesticulando para você, te convidando para entrar e fazer “sexo” com elas.
O que é mais espantoso é perceber o quão não-sexual toda aquela parte da cidade é. Tem um monte de gente “fazendo sexo” dia e noite, mas não passa disso. Não há conexão. Essa é, na verdade, sua única forma de funcionamento. Eles concordam em pagar certa taxa para a performance de certos atos, ela faz performance pra eles, ele a paga e ambos partilham um desempenho. A única maneira de eles se encontrarem outra vez está na improvável possibilidade de ele retornar e eles repetirem a performance. Não há conexão, não obstante.

Então na Red Light District há uma série de interações físicas sem conexão. Há um monte de pessoas tendo um sexo físico – para alguns isso é trabalho – e aquele ainda não é um lugar realmente sexual.

Tem até um termo que alguns utilizam empinando a face – “sexo casual”. O raciocínio que se tem, freqüentemente é: “É apenas sexo”.

Exatamente. Quando o que rola é apenas sexo, então é tudo o que é. Deixa a pessoa profundamente desconectada.

Você pode ter sexo com muitos, e ainda estar sozinha. E quanto mais sexo você tiver, mais sozinha estará. Ao mesmo tempo é possível dormir sozinho e celibatário, e ser muito sexual. Conectado com muitos. Igualmente é possível estar casado com alguém compartilhando da mesma cama e até tendo sexo regularmente e permanecer profundamente desconectado.

Há um ditado que afirma: “Você é apenas tão doente quanto seus segredos”. Isso é verdade também para os relacionamentos. Se há segredos não partilhados, tópicos que não podem ser discutidos, coisas do passado proibidas de serem trazidas à tona, podem matar um casamento.
Então eles estarão dormindo juntos, mas eles estarão realmente dormindo sozinhos.

Rob Bell
(Trechos traduzidos do livro Sex God. Grand Rapids: Zondervan, 2007).

Notas
[1] Distrito da Luz Vermelha, lugar da prostituição legalizada em Amsterdam.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Natal: a confraternização dos fracos

Felizes são os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos Céus” (Mt 5.3).

É difícil falar de fraqueza para um universo que supervaloriza a performance e a realização pessoal acima de todas as coisas, e que consagra uma velha casta, a qual sempre reaparece com novas facetas: os auto-suficientes. Sem questionar para onde e até onde vamos com este estilo de vida, aceitamos as regras e compulsões ditadas pela sociedade, que tende a eliminar de seu vocabulário palavras como vulnerabilidade, choro, dor, lamento e pobreza, e a destacar a supremacia dos mais fortes. Assim, nos tornamos seres que não abrem mão do controle de nossas vidas medíocres e alimentamos a simulação de uma fachada indelével.

Interessei-me de bom grado pela idéia de Henri Nouwen de “confraternização dos fracos”, pois ela preconiza uma possibilidade honesta e tremendamente humana, a saber, a participação fraterna nas dificuldades uns dos outros, complementando e ajudando uns aos outros, visto que todos possuímos fraquezas de diferentes espécies. Isso é com-paixão. Penso que esta idéia se aplica perfeitamente à celebração do natal, por duas razões. A primeira já foi delineada e aponta para a voz do mal na sociedade e na igreja, que nos condiciona a jamais demonstrarmos nossas fragilidades. A segunda diz respeito ao que o natal festeja: o nascimento na história do Deus que se fez gente, Jesus, e que encarnou a fragilidade, a dor, e a “desprezível” miséria da condição humana, desde a inglória manjedoura até a insuportável cruz, expondo sua total vulnerabilidade para que, através de sua morte, encontrássemos vida. Inconcebível loucura, Maravilhosa Graça!

Portanto, natal é a confraternização de homens e mulheres que não têm vergonha de celebrar a vida, admitindo todas as suas incoerências e limitações, reconhecendo sua pobreza, bebendo de seu próprio cálice, recebendo de Cristo o cálice da salvação e a revelação da face humana de um Deus que não se esconde atrás de um nome, de um título ou de um ofício, mas que se apresenta na completa vulnerabilidade de seu amor, para a redenção da criação, a qual perdeu a noção do que é o amor. Que neste natal, eu e você possamos despertar do sono e do cativeiro, num movimento de retorno a este Deus e a nossos irmãos e irmãs Nele.

Jonathan

domingo, 16 de novembro de 2008

Continuação do post anterior

É... mas não me parece que existe esse tipo de iniciativa de modo significativo, muito menos uma visão e comportamento alarmantes a respeito. Pelo contrário, ouvi de uma senhora a seguinte frase, que exemplifica bem certo comodismo que toma conta dessas congregações: “Nossas igrejas têm se mantido por gente mais velha sim. E não é de hoje. E quando essas morrerem, haverá outros velhos para dar continuidade, e assim a igreja vai sobrevivendo”. Outra expectativa que ouvi é a de que um dia esses jovens, que hoje estão distantes da igreja, irão voltar para ela, sem que haja um esforço em evangelizá-los. E (para completar o sonho perfeito) talvez sejam enterrados ali, como todo mundo nesse pequeno vilarejo de Freasland: no cemitério que fica no mesmo terreno que a igreja. Irônico, não?

Bem, não sou nenhum profeta do Apocalipse, nem estou aqui para julgar os holandeses. Muito menos, por outro lado, para dizer que igrejas cheias de jovens, cheias de gente, igrejas “avivadas”, desse ponto de vista mais genérico de avivamento (pra ser gentil), com louvorzão, palavras confortantes, uma série de programações diversificadas e atraentes, são igrejas mais vivas. Pelo contrário, uma das faces da “morte” do Evangelho em alguns contextos, como o brasileiro, está exatamente em algumas dessas igrejas evangélicas, que prestam mais desserviço que serviço ao reino.

A relação igreja-cemitério não é puramente estética ou numérica. Não tem a ver apenas com o provável esmorecimento de igrejas e a tendência tão grotesca quanto estranha de alguns em manter uma postura de platéia de seu próprio funeral. Mas também tem a ver com a ausência do sentido de igreja no sentido bíblico – povo de Deus, organismo vivo, agente do Reino, instrumento da Missão de Deus no mundo. Sem esse senso, perderemos não somente o fervor evangelístico, ou o desejo de que o Evangelho seja relevante a nossa geração, mas fundamentalmente a percepção de somos igreja para os outros, e não para nós mesmos.
O movimento umbilical (em torno de nossos próprios umbigos), que pode se expressar tanto num comodismo morno, quanto num fervor superficial, é anti-Evangelho e anti-Deus, por assim dizer. Eu, porém, luto todos os dias, até contra mim mesmo, para ter o anti-umbilical... Bem, às vezes eu consigo, e só pela graça.

Jonathan
(Foto: Outra perspectiva da igreja e do cemitério)

Semanal de Amsterdam (IX): Sobre cemitérios e igrejas

Duas semanas que não escrevo um semanal, e temo que esse seja o último, pois minha jornada em Amsterdam está no fim, em sua última semana. Andei viajando um bocado pela Europa e depois fiquei muito ocupado em compromissos com igrejas daqui. Eles financiaram (junto com a Universidade) minha vinda, estudos e estadia, e obviamente esperam algo em troca, que na verdade consistiu em intercâmbio de experiências em que ambos ouvimos uns aos outros acerca de nossos contextos, enfocando principalmente a igreja. No caso do Brasil, senti os holandeses com que tive contato muito interessados em saber sobre esse clima religioso exótico que temos em nosso país, e toda a multiplicidade de credos, sincretismos e troca cultural que ele comporta, mesmo na chamada “igreja evangélica” – nesse caso, o problema foi explicar a eles o que é ou quem é “evangélico” no Brasil. Acho que eles ficaram confusos, mas tudo bem, as relações eclesiásticas aqui na Holanda não são tão menos complicadas.

Quando entramos no assunto Igreja na Holanda, foi inevitável não comentar algo que ficou explícito, em ambas as congregações protestantes que visitei (em Apeldoorn e Freasland): a maciça ausência de gente jovem, sobretudo nas congregações da Igreja Protestante. Quem olhar algumas dessas igrejas cheias de modo panorâmico e focar apenas as cabeças, pode ter a sensação de estar numa plantação de algodão – com todo o respeito aos idosos, é só uma maneira bem-humorada de expressar a predominância dos irmãos e irmãs de cabelo branco nessas comunidades. Na roda de pessoas com as quais jantei na igreja, no sábado retrasado, por exemplo, afora eu, todos os outros tinham idade acima de 50 anos, num grupo de dez pessoas. E nos perguntávamos: para onde estão indo os jovens dessas igrejas? A resposta é óbvia, se considerarmos dois fatores mencionados em outros semanais, sobretudo no Semanal IV, que são o processo de secularização, que atinge, mormente, essa nova geração (15-30 anos), e a ineficácia das igrejas de perfil reformado, mais tradicional, em alcançá-los, em incluí-los.

E o mais interessante disso tudo é que as pessoas de igreja e líderes com quem conversei não me pareceram tão preocupados com tal realidade a ponto de iniciar por si mesmos, a partir de sua congregação, um processo inverso, que talvez comece pela flexibilização das estruturas, pelo desmantelamento dessa besteira eclesiástica (em parte necessária, em parte totalmente inútil) chamada hierarquia, e por uma renovação do estilo de ser igreja – sua teologia, sua linguagem, suas formas, programações. Mas tudo isso requer muito esforço, boa vontade e um senso grande de que isso é algo necessário à própria sobrevivência e posteridade dessas igrejas, sob pena de num prazo não muito longo restarem apenas prédios vazios, que então servirão talvez de museu ou patrimônio histórico.
Continua...
Jonathan
(Foto: A congregação e o cemitério em Freasland)

sábado, 8 de novembro de 2008

Que amor é esse?

Você já teve alguma vez aquela sensação de que o amor de Deus é "bom demais pra ser verdade"? Tipo, será que perdemos alguma coisa ou é isso mesmo? Deus realmente me ama incondicionalmente? Quero dizer, independente do que eu faça ou de como eu seja, ele continuará me amando? Você nunca fez uma pergunta ( não exatamente com essas palavras) do tipo: puxa, Deus, mas fala aí, qual é a minha parte nesse negócio do seu amor por mim? Fala, vai, eu sei que tenho que fazer alguma coisa, aliás, eu preciso fazer alguma coisa pra que eu não fique com essa sensação incômoda de que o seu amor é uma coisa utópica, irreal, boa demais pra ser verdade. Sabe como é, quando o presente é muito grande e de graça, a gente desconfia (mudando um pouco o ditado)...

Confessamente ou não, é assim que agimos muitas vezes. Dizemos crer na graça, mas será que cremos nela ao ponto de nos render completamente? Cantamos o amor de Deus e nos dizemos alcançados por esse amor, mas, na prática, como lidamos com um amor que não pede nada em troca para ser o que é? Bem, a essa hora, alguém certamente levantaria o dedo e diria: "Olha, não é bem assim, Deus requer muita coisa da gente sim". Creio também nisso, em parte. A parábola dos talentos, em Mateus 25, fala sobre o destino daqueles que preferem esconder o talento e não produzir, não ser frutífero. Mas a pergunta é: em que ser frutífero ou não pode mudar o amor de Deus por nós? Há algo que possamos fazer para intensificar ou para diminuir esse amor? Em tese, a resposta mais comum seria "não", mas, de fato, eu tenho visto que a resposta é "sim".

Por que? Simples, porque não lidamos bem com o fato de que com a graça de Deus e seu amor incondicional, saímos do controle. Daí, não adianta: sacrifícios, louvores, línguas, bençãos, orações, jejuns, caridade, etc. Nada disso nos conduz a Deus, porque, pela graça eu sei que já fui conduzido. Nada disso aumenta o amor dele por mim, porque o amor dele é eterno e imutável. Todas essas coisas "adiantarão", a partir do momento em que forem fruto de gratidão e da operosidade do amor e da graça de Deus em nós; isso é ser frutífero. Do contrário, é só religiosidade, nada mais. Deus não te quer e não me quer mais "religioso", ele quer o seu e o meu coração, o que significa nos querer por inteiro, assim, do jeito que somos, imperfeitos como somos, mas à caminho da perfeição que Ele desenhou para nós, e não essa "perfeição" pérfida que os mestres da religião têm exigido (e não de agora) das pessoas.

Assista a esse vídeo do Rob Bell, em que ele diz, acerca do amor de Deus: "Nada do que você possa fazer vai me fazer amar você menos do que amo". Será aceitável isso? Você crê nisso? E mais, você tem experimentado isso em sua vida e relacionamento com Deus? Ou, estaremos sempre nessa roda viciosa da lei, de ter que "fazer algo" ou deixar de fazer um monte de coisas, coxeando nas esquinas da vida por migalhas do amor de Deus? Pense nisso, e depois me fale o que você pensou se quiser...

Ótimo fim de semana!

Jonathan

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

O dia de uma Flor

Hoje é o dia de uma flor… A mais linda que conheço.
Flor que desabrochou ha oito anos atras em minha vida
e desde entao tem feito dos meus dias, dias mais alegres.
Para mim ela é uma flor rara, a qual nao se encontra sempre, em qualquer lugar.
Ela tem uma beleza so dela, uma ternura inconfundivel
e um perfume suave, que todos os dias desejo cheirar;
é o meu aroma de todas as manhãs e de todas as noites...

Sinto saudades do seu cheiro e do seu gosto, minha flor...
Sinto saudades de te olhar todos os dias e lembrar que você é minha.
Sensação indescritivel, que nem a distancia momentânea me fez esquecer...
Sinto saudades do carinho que você me da, simplesmente sendo você, essa flor tão linda por dentro e por fora, e do amor livre e descomplicado com que você tem me amado...

Perdoa-me, minha flor, pelos dias em que não cuidei bem de você,
em que te fiz triste, em que não te reguei com o amor que você merece... às vezes é tão dificil ser algo mais do que apenas esse ser cheio de defeitos que sou...
Mas o tempo e a distância têm me curado de muitas coisas, e so aumentado meu amor por você.
Te amo nas pequenas coisas... quando rimos, quando choramos, quando nos amamos,
e até mesmo quando você esta brava (fica ainda mais linda).
Amo-te ate mesmo em seus momentos de silêncio,
e jamais deixei de te amar, mesmo quando meu desejo foi ficar so,
ficar longe por um tempo...
Te amo porque você e minha cumplice e porque ambos respeitamos nossa individualidade...
Te admiro muito por ter me deixado partir por um tempo,
por me ter dado liberdade, e por ser tão forte, mesmo na fraqueza...

Cibele, você é minha flor, minha mulher, minha amante, minha pequena,
dadiva de Deus que aprendo a valorizar a cada dia mais...
Feliz Aniversario... Que Deus te conceda muitos anos mais de vida,
e me faça o homem mais feliz do mundo permitindo que eu viva a seu lado neles.
Te amo do tamanho do infinito...

Sinceramente seu,

Jonathan
Paris, 5 de Novembro de 2008
(Ps. Desculpe os erros ortograficos, esse teclado francês e estranho).